A Justiça de Goiás decretou a prisão do ex-médico Wesley Murakami, condenado a 9 anos e 10 meses de prisão em regime fechado por lesão corporal gravíssima contra pacientes submetidos a procedimentos estéticos. A decisão foi proferida pela 8ª Vara Criminal de Goiânia, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmar a condenação.
Segundo informações do processo, entre 2013 e 2018, Murakami realizou aplicações de PMMA (polimetilmetacrilato) — substância usada para preenchimento facial e corporal — em clínicas localizadas em Goiás e no Distrito Federal, sem a devida autorização dos conselhos regionais de medicina.
Mais de uma dezena de pacientes relataram ter sofrido deformações irreversíveis, dores intensas e danos psicológicos após passarem pelos procedimentos. Alguns casos foram amplamente divulgados nas redes sociais e se tornaram símbolo de alerta sobre os riscos do uso indevido do PMMA.
De acordo com os autos, o médico aplicava doses acima do recomendado e sem os cuidados clínicos adequados, o que provocou reações inflamatórias severas, necrose tecidual e deformidades permanentes em diversas regiões do corpo das vítimas.
Em agosto de 2024, o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) cassou o registro profissional de Wesley Murakami. O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) também aplicou sanções, incluindo censura pública.
Após a confirmação da condenação pelo STJ, a Justiça expediu o mandado de prisão, mas Murakami não foi localizado e é considerado foragido. As forças policiais de Goiás e do Distrito Federal já foram notificadas e trabalham para cumprir a ordem judicial.
O caso reacende o debate sobre o uso de preenchimentos permanentes com PMMA, uma substância proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em procedimentos estéticos de grande volume. Especialistas alertam que o produto pode causar rejeição, inflamações, fibroses e deformações que não podem ser revertidas.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que o uso do material deve ser restrito a casos específicos e sob acompanhamento hospitalar, com profissionais devidamente capacitados.
Redação
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