Um gesto de humanidade marcou a rotina da Justiça Federal em Goiás nesta semana. O juiz Antônio José de Carvalho Araújo deixou seu gabinete e foi até a rua atender Amarildo Francisco dos Santos Silva, um homem em situação de rua, com dificuldades de locomoção, que buscava acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Amarildo, ex-vigilante que perdeu a capacidade de trabalhar após problemas de saúde em uma das pernas, não tinha condições de comparecer ao fórum. Sensível à situação, o magistrado decidiu realizar a audiência no local onde Amarildo se encontrava, acompanhado de representantes do INSS.
A medida foi fundamentada em resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que permite a realização de audiências fora das dependências oficiais, especialmente em casos de vulnerabilidade social e impossibilidade de deslocamento.
Na audiência, foi concedido a Amarildo o direito de receber um salário mínimo mensal por meio do BPC. Para o juiz, mais do que um processo judicial, a decisão foi uma forma de restituir a dignidade a um trabalhador que dedicou anos de sua vida ao serviço e hoje enfrenta a dura realidade das ruas.
“Era uma questão de urgência, para garantir uma mínima condição de vida digna. A Justiça precisa estar onde o povo está”, afirmou o magistrado.
O episódio lança luz sobre a importância de aproximar o Judiciário da realidade da população mais vulnerável. Ainda que previsto em lei, poucos casos ganham tamanha visibilidade. A atitude do juiz reforça o papel social da Justiça e mostra que empatia e sensibilidade também podem transformar vidas.
Redação
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