Um incêndio de grandes proporções atingiu o lixão de Caldas Novas, nesta segunda-feira (25), causando destruição e desespero entre os mais de 200 catadores e recicladores que dependem do local para sobreviver. Segundo relatos, o fogo teria sido criminoso e já havia ocorrido há cerca de duas semanas, mas voltou a se espalhar, consumindo todo o material separado pelos trabalhadores.
Prejuízo e perdas irreparáveis
Os recicladores relatam que perderam milhares de reais em materiais que já estavam prontos para comercialização. Uma das catadoras contou à reportagem que sua família perdeu cerca de R$ 3 mil em itens separados. Estima-se que o prejuízo total ultrapasse R$ 10 mil.
“É desesperador. A gente passa o dia inteiro no sol, no lixo, separando cada pedaço, e em poucas horas tudo vira fumaça”, desabafou uma trabalhadora, emocionada.
Além da perda financeira, houve consequências graves à saúde: diversos catadores passaram mal com a inalação da fumaça tóxica, alguns chegaram a desmaiar, entre eles o marido de uma das vítimas. Animais que viviam no local também não resistiram ao fogo — cachorros morreram intoxicados.
Bombeiros acionados e investigação
O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás foi chamado ainda na tarde desta segunda-feira e trabalhou para controlar as chamas. O caso está sendo investigado e a suspeita inicial é de incêndio criminoso.
A Prefeitura de Caldas Novas informou que deve se pronunciar em breve sobre a tragédia. Já a empresa responsável pelo lixão ainda não apresentou posicionamento.
Situação irregular do lixão
O episódio reacende a polêmica sobre a situação do lixão de Caldas Novas. Em agosto de 2024, a prefeitura havia iniciado um processo junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) para encerrar as atividades no local, mas a solicitação foi arquivada em outubro por falta de pagamento. Em novembro, houve nova tentativa de regularização, mas o processo segue pendente de correção.
Enquanto isso, os catadores permanecem em condições precárias, expostos a riscos de incêndio, intoxicação e perda do único sustento que possuem.
Voz da comunidade
O caso gerou revolta na cidade. Moradores questionam a falta de estrutura para os recicladores e cobram da gestão municipal uma solução imediata para proteger trabalhadores e famílias que dependem do lixão.
“Não é só lixo que queimou, foram vidas, foi o pão da nossa mesa”, lamentou outro catador.
Redação
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