sábado , 7 março 2026

Incêndio em casa de recuperação no DF mata 5 e deixa 11 feridos

Madrugada de pânico no Paranoá expõe falhas de segurança e funcionamento irregular da instituição

A madrugada de domingo (31/08) foi marcada por uma tragédia no Distrito Federal. Um incêndio de grandes proporções atingiu a Comunidade Terapêutica Liberte-se, localizada no Boqueirão, área rural do Paranoá. O fogo deixou cinco mortos e 11 pessoas feridas, que foram socorridas com queimaduras e sintomas de intoxicação por fumaça.

Segundo o Corpo de Bombeiros do DF, o chamado ocorreu por volta das 2h50 da manhã. Ao chegar ao local, as equipes encontraram chamas intensas e fumaça densa. Foram mobilizadas dez viaturas para o combate, mas, após o rescaldo, os militares encontraram as vítimas fatais já sem vida dentro do imóvel.

Vítimas e resgate

As vítimas foram identificadas como Darley Fernandes de Carvalho, José Augusto, Lindemberg Nunes Pinho, Daniel Antunes e João Pedro Santos – todos homens que estavam em tratamento contra a dependência química.

Outros 11 internos, com idades entre 21 e 55 anos, foram encaminhados para hospitais da região, como o Hospital Regional Leste (Paranoá) e o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Testemunhas relataram que alguns sobreviventes só conseguiram escapar porque vizinhos e internos de outra unidade da instituição arrombaram portas para ajudar.

Um sobrevivente, Daniel Gonçalves, de 24 anos, contou que ouviu gritos e tentou ajudar: “Quando conseguimos abrir a casa, o fogo se espalhou muito rápido. Não deu tempo de salvar todos.”

Falhas de segurança e investigação

O caso revelou falhas graves na estrutura da clínica. O imóvel não tinha alvará de funcionamento, não havia passado por vistoria do Corpo de Bombeiros e operava apenas com licença de localização, concedida dias antes do incêndio. Além disso, o prédio estava trancado com cadeados, tinha janelas gradeadas, sem extintores e sem saídas de emergência, o que dificultou a fuga das vítimas.

O dono da clínica, Douglas Costa de Oliveira Ramos, afirmou que havia solicitado o alvará, mas o documento ainda não tinha sido liberado. A Polícia Civil do DF abriu inquérito para apurar as causas do incêndio e investigar possíveis responsabilidades criminais. A Defesa Civil também acompanha os trabalhos periciais.

Em nota, a direção da instituição lamentou as mortes, declarou estar à disposição das autoridades e prometeu colaborar com as investigações.

Repercussão

A tragédia gerou forte comoção e trouxe à tona a falta de fiscalização em casas de recuperação de dependentes químicos, que em muitos casos funcionam sem cumprir exigências mínimas de segurança. O episódio reacendeu o debate sobre a necessidade de maior controle e apoio estatal às comunidades terapêuticas.

Redação

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