Um crime marcado pela brutalidade e pelo preconceito foi duramente punido pela Justiça goiana. Anderson Dias Nogueira foi condenado a 31 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de uma mulher trans em Jataí, no sudoeste do estado. A sentença, proferida nesta semana, representa um passo importante no combate à violência de gênero e à transfobia.
O feminicídio ocorreu na madrugada de 2 de dezembro de 2024, quando a vítima, identificada pelas iniciais E. N. L., foi levada à casa do réu. Segundo a investigação, após consumo de drogas e discussão envolvendo dinheiro, Anderson atacou a vítima com uma faca, causando sua morte.
Em um ato de extrema violência, o homem esquartejou o corpo na tentativa de ocultar o crime. A defesa alegou legítima defesa, mas a versão foi rejeitada por unanimidade pelo júri, que considerou a frieza e a crueldade do crime.
A pena foi dividida entre 30 anos pelo feminicídio qualificado — que incluiu elementos como motivo torpe, uso de meio cruel e violência contra mulher trans — e 1 ano por ocultação e destruição de cadáver. O juiz determinou que Anderson comece a cumprir a pena imediatamente, sem direito a recorrer em liberdade.
A promotoria destacou que havia uma relação de trato contínuo entre o réu e a vítima, o que enquadra o caso como violência doméstica e familiar, nos termos da Lei do Feminicídio. Esse reconhecimento é considerado um marco importante na garantia de direitos e proteção à população trans.
“O Judiciário goiano deu um recado claro de que crimes de ódio e violência de gênero, inclusive contra pessoas trans, não ficarão impunes”, afirmou um representante do Ministério Público.
A decisão judicial gerou comoção entre movimentos sociais e ativistas LGBTQIA+ de Goiás, que veem no caso uma oportunidade de ampliar o debate sobre a violência estrutural contra pessoas trans no estado.
“A transfobia mata, e muitas vezes de forma brutal. Precisamos cobrar políticas públicas de proteção e mais educação para que essas vidas não sejam apagadas tão cruelmente”, disse uma representante do coletivo Diversidade Jataí.
Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo — e a maioria dos casos não chega ao julgamento.
Fonte: Maisgoiás
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