O Tribunal do Júri de Goiás condenou Rodrigo Borges a 50 anos de prisão pelo assassinato de sua companheira, Silvânia Castro, de 38 anos, ocorrido em fevereiro em Caldas Novas. O crime ganhou repercussão nacional por se tratar do primeiro feminicídio registrado em Goiás em 2025.
De acordo com a Justiça, o assassinato foi cometido de forma cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Rodrigo Borges atacou Silvânia com 40 facadas após um relacionamento de cerca de dois meses. A vítima, que havia se mudado para a residência do acusado junto com suas duas filhas, decidiu encerrar o relacionamento devido à falta de contribuição dele nas despesas da casa.
Segundo a denúncia, no dia do crime, Rodrigo passou o dia consumindo álcool e cocaína e, tomado pelo ciúme, começou a jogar os pertences de Silvânia fora na frente da filha mais nova, afirmando que ela “pagaria” pelo término. Quando Silvânia chegou em casa, por volta das 21h, foi brutalmente atacada sem chances de defesa.
O Ministério Público de Goiás (MPGO) sustentou que o crime ocorreu em razão da condição de gênero da vítima, dentro do contexto de violência doméstica. A promotora Ayla Quintella Antunes apresentou a acusação, e o conselho de sentença reconheceu a tese por maioria.
A juíza Vaneska da Silva Baruki, responsável pela sessão do júri, fixou a pena-base em 30 anos de reclusão, considerando a culpa do réu, sua personalidade marcada por egoísmo e ciúme exacerbado, a conduta social negativa e o impacto do crime, que deixou duas crianças órfãs. Na terceira fase da dosimetria, a pena foi aumentada devido às qualificadoras, totalizando 50 anos de prisão.
Além disso, a sentença determina que Rodrigo pague 50 salários mínimos de indenização por danos morais, valor que será dividido entre as filhas da vítima. Ele foi preso em flagrante logo após o crime e seguirá detido para cumprimento da pena.
Silvânia Castro se tornou a primeira mulher vítima de feminicídio no estado em 2025. Ela foi encontrada no banheiro de sua residência por uma de suas filhas, logo após o ataque.
Embora os números de feminicídios em Goiás tenham registrado queda, o estado ainda apresenta índices preocupantes. Dados do Governo de Goiás apontam que no primeiro semestre de 2025 houve redução de 23% em relação ao mesmo período de 2024, caindo de 30 para 23 casos. Entre 2023 e 2024, a queda registrada foi de 17,4%, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSPGO).
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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