sábado , 7 março 2026

Goiana vítima de tentativa de estupro em Paris presta depoimento e suspeito segue preso

A goiana Jhordana Dias, vítima de uma tentativa de estupro em Paris, foi ouvida pela Justiça francesa pela primeira vez na última quinta-feira (15). A jovem prestou depoimento à juíza de instrução responsável pelo caso, que apura a agressão ocorrida dentro de um trem da região metropolitana da capital francesa. Segundo a defesa, o suspeito permanece em prisão preventiva.

“Hoje eu passei por uma fase muito importante, onde a juíza me ouviu e confrontou os fatos”, afirmou Jhordana Dias em entrevista à RFI. A brasileira, de 26 anos, disse esperar que a justiça seja feita e confirmou que pretende permanecer na França enquanto o processo segue em andamento.

Logo após a agressão, ocorrida em outubro, Jhordana havia registrado queixa em uma delegacia. De acordo com o advogado André Fernandes, o depoimento teve papel fundamental na investigação. “A juíza decidiu ouvir a Jhordana para dar a palavra à vítima no curso dessa instrução penal”, explicou.

Atualmente, o processo está na fase de instrução, o que significa que o agressor foi formalmente acusado pelo Ministério Público. “Hoje ele responde por tentativa de estupro. Esperamos que essa classificação penal seja mantida até o final do processo”, afirmou o advogado, destacando que se trata de uma agressão extremamente violenta ocorrida em transporte público.

O suspeito foi identificado por outras possíveis vítimas após vídeos do ataque circularem nas redes sociais. Ele permanecerá em prisão preventiva por pelo menos um ano, prazo que pode ser renovado. Na França, a detenção pode se estender por até quatro anos, caso a Justiça entenda ser necessária para a investigação e para evitar novas vítimas.

Ainda não há definição sobre as penas, pois tudo dependerá da classificação final do crime. “Precisamos saber se a Justiça vai manter a tentativa de estupro ou se o caso será enquadrado como agressão sexual”, explicou André Fernandes.

Natural de Goiânia, Jhordana Dias afirmou que está bem “na medida do possível” e realiza acompanhamento psicológico. “O trauma que ficou em mim foi muito grande”, relatou. Ela ainda sente medo de usar transporte público, enfrenta dificuldades para dormir e sofre com estresse pós-traumático.

O ataque ocorreu na manhã de 15 de outubro, dentro de um RER C, linha que liga Paris à periferia. Jhordana foi alvo de socos, mordidas e agressões de cunho sexual. O episódio foi filmado por uma passageira, que prestou socorro imediato. As imagens viralizaram e foram fundamentais para a identificação e prisão do suspeito, realizada em 24 de outubro.

Segundo o advogado, o caso de Jhordana não é isolado. “Outras mulheres relatam agressões e situações de violência nos transportes públicos na França”, lamentou. Ele ressaltou a coragem da brasileira em denunciar o crime, mas reforçou que ela segue profundamente marcada pelo que viveu.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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