A crise na rede municipal de saúde de Goiânia ganhou novos capítulos nesta semana. A Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) acusou a Prefeitura de não apresentar um planejamento claro para a transição da gestão das maternidades, prevista para o fim de agosto. A troca ocorre em meio a atrasos em pagamentos, restrições nos atendimentos e denúncias de precariedade nos serviços.
Suspensão de anestesiologia e impacto nos atendimentos
Na última quinta-feira (21), a Maternidade Nascer Cidadão suspendeu temporariamente o serviço de anestesiologia, o que comprometeu a realização de partos e cirurgias emergenciais. A Fundahc classificou a situação como pontual e garantiu que o atendimento seria retomado ainda nesta sexta (22).
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), no entanto, tratou o episódio como “extremamente grave” e já acionou o Ministério Público Estadual para investigar a paralisação.
Dívidas sem resposta
Outro ponto de tensão envolve dívidas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) com a Fundahc. De acordo com a instituição, tratativas conduzidas junto à Universidade Federal de Goiás (UFG) ainda não tiveram retorno do Executivo municipal. A falta de pagamento a médicos e prestadores tem se refletido diretamente no funcionamento das unidades.
Defesa da Prefeitura
A Secretaria Municipal de Saúde rebateu as críticas e afirmou que a paralisação em Nascer Cidadão reforça a necessidade de mudança no modelo de gestão. A pasta anunciou que os atendimentos de urgência, consultas e pacientes internados continuam funcionando, e que gestantes sem risco são redirecionadas para outras unidades, como a Maternidade Dona Íris, o Hospital das Clínicas e o Hospital Estadual da Mulher.
Segundo a Prefeitura, a administração das maternidades será repassada a três organizações sociais (OSs) em caráter emergencial a partir do dia 29 de agosto.
Crise generalizada
A situação não é isolada. No mês passado, o Hospital e Maternidade Célia Câmara já havia suspendido partos e cesáreas devido à falta de pagamento aos médicos. Para a Fundahc, o cenário é reflexo de um processo de transição sem planejamento adequado, que coloca em risco o atendimento às gestantes e recém-nascidos da capital.
Redação
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