sábado , 7 março 2026

Fim da baliza na CNH gera críticas de instrutores e preocupa segurança no trânsito

O fim da baliza no exame prático da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a implementação de novas regras no processo de habilitação já começaram a provocar debates em todo o país. A mudança, que divide opiniões entre candidatos, instrutores e especialistas, já foi implementada em estados como Goiás, onde o novo formato da prova prática passou a valer.

As alterações fazem parte de uma reformulação nacional do processo de habilitação, com foco em simplificação, redução de custos e maior ênfase em situações reais de trânsito. A principal novidade é a retirada definitiva da prova de baliza, além da flexibilização de outras etapas consideradas pouco representativas da condução cotidiana.

Até o momento, os Detrans de São Paulo, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Distrito Federal, Goiás, Alagoas, Pará e Maranhão já iniciaram a implementação das novas regras. Nesses estados, a prova prática passou a avaliar principalmente o desempenho do candidato em percurso urbano, observando conversões, paradas obrigatórias, respeito à sinalização e condução segura.

Outras mudanças incluem o fim de exercícios como rampa e meia embreagem em determinados casos, a adoção de sistema de pontuação por infrações, além da permissão para uso de veículos com câmbio automático ou até carros particulares durante o exame. Em alguns estados, houve também redução de taxas e maior liberdade para realizar aulas e provas fora do modelo tradicional das autoescolas.

Por outro lado, estados como Acre, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Minas Gerais e Paraná ainda aguardam a publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, do Ministério dos Transportes, para adotar as mudanças, garantindo a padronização nacional.

Embora comemorada por parte dos candidatos, a extinção da baliza tem sido vista com ressalvas por especialistas. Instrutores e aprendizes afirmam que a medida pode impactar a segurança no trânsito, já que a manobra continua sendo necessária no dia a dia. Um candidato avaliou: “Na rua, a gente precisa fazer baliza, então é algo que deveria ser aprendido de qualquer jeito”.

Outro ponto de preocupação é o impacto trabalhista. Com o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas e a redução da carga mínima de 20 para apenas 2 horas-aula, há relatos de demissões em massa de instrutores. Segundo o Sintradete, entre mil e duas mil demissões teriam ocorrido apenas na cidade de São Paulo após a aprovação da resolução.

Instrutores também alertam que a diminuição do tempo de formação pode prejudicar a qualidade dos novos motoristas. Um profissional do setor afirmou: “Já vi alunos que achavam que sabiam dirigir serem reprovados por vícios como não dar seta ou não reduzir antes da conversão”.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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