A ativista Lili de Grammont estará em Goiânia na próxima segunda-feira (9/3) para a abertura da 32ª Semana da Justiça Pela Paz em Casa, promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). O evento está marcado para as 8h30.
Filha da cantora Eliane de Grammont, assassinada em 1981, Lili transformou a própria história em militância contra a violência de gênero. Ela participará da mesa-redonda com o tema “O Feminicídio e os Desafios na Prevenção: O que Falta para Impedir que Mais Mulheres Sejam Vítimas?”, ao lado da psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo e da juíza Simone Pedra Reis, 1ª vice-coordenadora da Coordenadoria da Mulher do TJGO.
Eliane de Grammont foi morta a tiros durante uma apresentação em um bar, em São Paulo, pelo ex-marido, o cantor Lindomar Castilho. O crime teve repercussão nacional. Ele foi condenado a 12 anos de prisão e deixou o sistema prisional nos anos 1990, após cumprir parte da pena.
Na época do assassinato, Lili tinha apenas dois anos. Segundo ela, além da perda da mãe, a prisão do pai representou o rompimento definitivo da estrutura familiar.
Durante a programação da semana, será apresentado um estudo inédito que aponta que mulheres notificadas por suspeita de violência doméstica na rede pública de Goiânia têm risco quatro vezes maior de morrer por causas externas, em comparação à população feminina em geral do estado e da capital.
A pesquisa analisou dados de 2010 a 2020, a partir da integração de sistemas oficiais de saúde. No período, foram registradas 24.093 notificações de violência, sendo 20.002 classificadas como violência interpessoal. Após o cruzamento das informações, 8.295 mulheres compuseram a amostra final.
Em parte dos casos, as mortes ocorreram em menos de 30 dias após a notificação — intervalo considerado crucial para intervenções capazes de evitar desfechos fatais.
Os dados também revelam fragilidades na rede de atendimento: cerca de dois terços das internações por lesões não apresentavam informação sobre a causa básica, e 70% das internações por agressão não tinham notificação no sistema de vigilância, indicando falhas na prevenção.
Por outro lado, o estudo demonstra que a integração entre saúde e Justiça reduz significativamente os riscos. Mulheres encaminhadas a serviços de proteção tiveram redução de 40% no risco de internação e de 64% no risco de morte por feminicídio. Quando houve encaminhamento aos serviços da Justiça, a redução foi de 55% no risco de internação e de até 80% no risco de morte.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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