A crise na saúde de Goiânia ganhou um novo capítulo nesta semana. Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) acusa a Organização Social Patris de pressionar funcionários da Maternidade Dona Íris a entregarem as chaves da unidade antes de qualquer ato oficial de transferência de gestão.
Segundo o relato, o episódio ocorreu no dia 22 de agosto, quando a maternidade ainda estava sob responsabilidade da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc). A funcionária que apresentou a denúncia afirmou que nem a diretoria da maternidade nem a Fundahc foram oficialmente comunicadas da mudança, descrevendo o processo como “abrupto, sem protocolo e prejudicial para trabalhadores e pacientes”.
O que diz a Secretaria de Saúde
Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) negou qualquer irregularidade. De acordo com o assessor técnico Frank Martins, a Prefeitura afirma que a transição foi planejada desde o início de agosto, com a instalação de comissões de acompanhamento e elaboração de cronogramas.
Martins ressaltou que “não houve pedido para abandonar a unidade”, apenas a solicitação formal de devolução da maternidade, garantindo que o serviço continuaria em funcionamento. Ele comparou o processo a “trocar a roda com o carro em movimento”, reforçando que o atendimento à população não seria interrompido.
Contexto de crise nas maternidades
A denúncia surge em meio a uma situação crítica na rede municipal de saúde. Desde julho, as maternidades da capital enfrentam a suspensão de atendimentos e a falta de anestesiologistas, provocando forte impacto no atendimento a gestantes.
Com o fim do contrato da Fundahc previsto para 29 de agosto, a Prefeitura anunciou que três Organizações Sociais assumirão, em caráter emergencial, a gestão das maternidades: Patris, Sociedade Beneficente São José e Associação Hospital Beneficente do Brasil. O custo dos contratos é de R$ 38 milhões por três meses.
Em análise
O Ministério Público do Trabalho deve avaliar a denúncia sobre suposta pressão na transição e decidir se abre investigação formal. Enquanto isso, profissionais da saúde seguem apreensivos com a forma como as mudanças vêm sendo conduzidas e com os impactos para a população goianiense.
Redação
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