A defesa do síndico Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, preso pelo assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, afirmou que ainda irá analisar se a confissão atribuída a ele foi feita de forma voluntária ou sob algum tipo de coação. A manifestação ocorreu após a prisão realizada pela Polícia Civil na quarta-feira (28), em Caldas Novas, e levanta questionamentos sobre a legalidade dos procedimentos adotados durante a investigação.
De acordo com o advogado Luiz Fernando Izidoro, a equipe jurídica pretende examinar detalhadamente as circunstâncias em que Cléber admitiu o crime. Segundo a defesa, será avaliado se foram garantidos direitos fundamentais, como o direito ao silêncio, à não autoincriminação e ao acompanhamento jurídico no momento da confissão.
Os advogados informaram ainda que não tiveram acesso integral aos autos do processo. “A defesa aguarda a liberação completa do inquérito policial e da decisão judicial que determinou a prisão de Cléber e de seu filho, Maycon Douglas Souza Oliveira, de 27 anos”, informou a equipe jurídica. Somente após essa análise, segundo os defensores, será definido se haverá pedidos de revogação da prisão, relaxamento ou outras medidas judiciais cabíveis.
No dia anterior à prisão, a defesa havia afirmado que o síndico não era alvo da investigação e que colaborava com a Polícia Civil.
Em nota, o escritório responsável pelo caso destacou que as investigações seguem em andamento e que novas informações serão divulgadas no momento oportuno. A defesa também afirmou que Cléber se compromete a colaborar com as autoridades e que ainda será ouvido formalmente pela polícia em data a ser definida.
A prisão de Cléber ocorreu após a Polícia Civil reunir imagens de câmeras de segurança, dados de deslocamento e outras provas que indicariam sua participação direta no crime. Conforme a investigação, o síndico confessou o assassinato e apontou o local onde o corpo de Daiane foi abandonado, em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros do condomínio onde a vítima morava.
O corpo da corretora foi encontrado após 42 dias de buscas, em avançado estado de decomposição, e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia, onde exames periciais devem esclarecer a causa da morte.
As apurações indicam que Cléber teria utilizado o próprio veículo para retirar o corpo do condomínio no dia do crime, ocorrido em 17 de dezembro. Imagens de segurança mostram o carro deixando o local com a capota coberta e retornando pouco tempo depois com a estrutura aberta, em um intervalo considerado incompatível com a rotina habitual do suspeito. A polícia afirma ainda que o trajeto registrado coincide com o ponto onde o corpo foi localizado.
O filho de Cléber, Maycon Douglas Souza Oliveira, também foi preso por suspeita de participação na ocultação do cadáver e na destruição de provas. Segundo o delegado titular do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Caldas Novas, André Luiz Barbosa, Maycon teria adquirido um novo telefone celular após o desaparecimento da vítima, com o objetivo de dificultar o rastreamento de mensagens e ligações.
A Polícia Civil investiga se o aparelho foi utilizado para orientar ações como limpeza de locais, eliminação de registros digitais e alinhamento de versões entre os envolvidos.
Enquanto a defesa questiona os procedimentos da investigação, a família de Daiane enfrenta o luto e a indignação pela perda. A mãe da corretora, Nilze Alves, afirmou que a confirmação da morte trouxe sentimentos de dor, revolta e também alívio por encerrar um longo período de incertezas.
Segundo ela, a prisão dos suspeitos representa um ponto final em uma história marcada pelo sofrimento, embora não amenize a perda irreparável da filha.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda a conclusão de laudos periciais e a realização de novas oitivas para finalizar o inquérito.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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