sábado , 7 março 2026

Curso de Inteligência Artificial da UFG supera Medicina em concorrência e forma profissionais já empregados

A Inteligência Artificial deixou de ser apenas um conceito futurista e passou a ocupar um dos espaços mais promissores do mercado de trabalho brasileiro. Cada vez mais disputado, o curso já registra concorrência superior à de graduações tradicionais, como Medicina, em algumas instituições. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde a graduação em IA é pioneira no país, o cenário confirma a alta empregabilidade: quem se forma dificilmente enfrenta o desemprego.

Única mulher da primeira turma do curso (2020–2024), Heloisy Rodrigues conversou com a reportagem do Integração News e afirma que a criação da graduação surgiu para atender a uma demanda real do mercado. “Faltava profissional qualificado. Então, quando você pega o diploma, o emprego acaba sendo algo muito natural. Você não passa por aquele desespero de ‘me formei, e agora?’”, relata.

Segundo Heloisy, muitos estudantes já concluem a graduação com vagas encaminhadas ou projetos próprios em andamento. “Às vezes você já tem um trabalho engatilhado, só esperando colar grau para assumir. E também existe muito incentivo ao empreendedorismo”, afirma. Ela seguiu esse caminho: “Saí da faculdade empreendendo, montei uma startup com colegas e hoje trabalho em uma instituição financeira”.

A profissional destaca ainda que a forte carga prática do curso prepara os alunos para o mercado. “Você não chega como um estagiário cru. Já chega com experiência, porque participou de diferentes projetos ao longo da graduação”, explica. Para ela, a formação vai além da parte técnica. “O uso da IA está ligado a problemas reais das empresas. É preciso entender a dor do negócio para fazer a máquina pensar em soluções”.

Outro diferencial apontado por Heloisy é o domínio do inglês. “Quem sabe inglês consegue trabalhar remotamente para empresas estrangeiras e ganhar muito mais”. De acordo com ela, todos os colegas da primeira turma saíram empregados. “Ninguém ficou parado depois de formado.”

“Dá para trabalhar com medicina, educação, história, várias áreas”
Formada pela segunda turma do curso (2021–2025), Evellyn Nicole Machado também confirma o aquecimento do mercado. “Antes mesmo da colação de grau eu já estava empregada”, conta. Após trocar de empresa, ela passou a receber propostas com frequência. “Toda semana surgiam oportunidades no LinkedIn”.

Evellyn destaca que a proximidade com o mercado durante a graduação faz diferença. “A gente participa de projetos e tem contato direto com empresas. Os professores também ajudam muito, porque têm experiência prática e boas conexões”, afirma. A escolha pela área, segundo ela, veio da ampla possibilidade de atuação. “Percebi que dava para trabalhar com medicina, educação, história, várias áreas. Isso me chamou muita atenção”.

Na prática, ela resume o papel da Inteligência Artificial como solução de problemas. “Sempre que existe um processo repetitivo ou que pode ser automatizado, a IA pode atuar. Ela entra para ajudar os humanos, evitando que fiquemos presos a tarefas repetitivas.”

Alta demanda no Sisu
O primeiro dia de inscrições do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 confirmou a alta procura pelo curso de Inteligência Artificial da UFG. A graduação registrou nota de corte superior a 846 pontos, colocando as sete vagas disponíveis entre as mais disputadas do país.

A nota ficou atrás apenas do curso de Medicina da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que alcançou 859,06 pontos. Mesmo assim, o curso de IA da UFG superou a nota de corte de ao menos dez cursos de Medicina ofertados em diferentes regiões do Brasil.

Formação voltada à solução de problemas
Segundo a UFG, o curso de Inteligência Artificial tem como objetivo formar profissionais capazes de resolver problemas complexos por meio do uso de tecnologias de IA, incluindo sistemas autônomos e embarcados, com foco em inovação e empreendedorismo.

Durante a graduação, os estudantes têm contato com fundamentos de computação e matemática, desenvolvimento de habilidades cognitivas, além de técnicas e metodologias específicas da área.

A universidade explica que, até pouco tempo atrás, as competências em Inteligência Artificial eram adquiridas principalmente por profissionais formados em outras áreas, sobretudo em cursos de pós-graduação em Computação. No entanto, essa formação era considerada parcial, pois não abrangia todas as vertentes da área.

“Com a expansão do uso da Inteligência Artificial em diversos setores, surgiu a necessidade de uma graduação específica voltada ao tema”, destaca a UFG.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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