Saulo Jennings, renomado chef paraense, causou burburinho nos bastidores do Earthshot Prize 2025, evento ambiental que acontece no próximo dia 5 de novembro, no Rio de Janeiro. O motivo? Ele simplesmente disse “não” a um convite para cozinhar para ninguém menos que o príncipe William, do Reino Unido.
Mas calma, não foi desfeita. O motivo da recusa foi, no mínimo, inusitado — e bem coerente com as raízes do chef: o cardápio exigido para o jantar era 100% vegano, sem nenhum ingrediente de origem animal. Nem mesmo peixe.
Para muitos, isso não seria um problema. Mas, para Saulo, a culinária amazônica sem peixe não é a verdadeira culinária amazônica. Ele explica que sua cozinha representa os sabores dos rios e da floresta, e que excluir ingredientes como o pirarucu — um dos peixes mais emblemáticos da região — seria como apagar parte da cultura local.
“Respeito o veganismo, até tenho opções sem carne no meu restaurante. Mas cozinhar para o mundo, sem mostrar a nossa essência? Não dá”, declarou o chef.
Saulo, que comanda a famosa Casa do Saulo, em Belém (PA), aproveitou para criticar a resistência de delegações internacionais em provar a verdadeira comida brasileira. Ele conta que, em outras ocasiões, pediram que ele preparasse pratos mais “seguros”, como peito de frango ou sanduíches, no lugar de iguarias regionais.
Com a saída de Saulo, a missão de alimentar o príncipe britânico ficou com a chef carioca Tati Lund, especializada em culinária vegana. Ela comanda o Org Bistrô, premiado restaurante no Rio, eleito o terceiro melhor vegetariano da cidade.
A atitude de Saulo levanta uma discussão importante: até que ponto é possível adaptar tradições culinárias sem perder sua alma? Para ele, a resposta é clara — tradição se respeita, se valoriza e, quando possível, se apresenta ao mundo do jeito que ela é.
E você, o que acha dessa história? Teria topado o desafio vegano ou também defenderia o pirarucu com unhas e dentes?
Fonte: MaisGoiás
integracaonews.com.br Portal de Notícias