sábado , 7 março 2026

CBF prepara modelo de fair play financeiro inspirado na Europa para clubes brasileiros

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está prestes a implementar um sistema inédito no país para controlar as finanças dos clubes e promover maior equilíbrio econômico no futebol nacional. Chamado de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), o modelo está em fase final de elaboração e deve ser oficialmente apresentado no CBF Summit, marcado para 26 de novembro de 2025.

O projeto foi debatido em reunião com representantes de 34 clubes e 10 federações estaduais, que discutiram formas de inspirar-se nas regras já aplicadas em países como Inglaterra, Espanha, França e nas competições da UEFA. A proposta é criar um mecanismo que una limites de gastos e controle de orçamentos, exigindo dos clubes uma gestão mais responsável para evitar dívidas impagáveis.


O que funciona lá fora

Na Europa, o chamado fair play financeiro é amplamente utilizado para evitar desequilíbrios e impedir que clubes gastem muito acima das próprias receitas.

  • UEFA: estabelece um teto de gastos com salários, contratações e comissões, limitado a 70% da receita total, além de exigir balanços equilibrados em um período de três anos. Prejuízos acima de determinados valores podem render punições severas, como exclusão de competições.

  • Premier League (Inglaterra): permite até £105 milhões (R$ 765 milhões) de prejuízo em três anos, mas estuda adotar limite de 85% da receita para gastos com folha salarial.

  • La Liga (Espanha): não libera registro de novos atletas se as contas do clube estiverem no vermelho.

  • Ligue 1 (França): a DNCG, órgão fiscalizador independente, chega a recomendar rebaixamento de clubes com dívidas elevadas, como aconteceu com o Lyon recentemente.


Impacto para o futebol brasileiro

A expectativa é que o SSF siga os mesmos princípios internacionais, impondo uma relação saudável entre gastos e receitas, além de reforçar a transparência das contas. A CBF avalia que a medida será fundamental para evitar crises financeiras, como atrasos salariais e endividamento crônico, que ainda são realidade em muitos clubes do país.

Se aprovado, o modelo entrará em vigor gradualmente, dando tempo para que as equipes se adaptem. Especialistas acreditam que a mudança poderá transformar o futebol brasileiro, tornando-o mais competitivo e sustentável no longo prazo.

Redação

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