sábado , 7 março 2026

“Careca do INSS” volta a demonstrar interesse na Iquego, empresa pública de Goiás

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como “Careca do INSS” e preso no fim do ano passado sob suspeita de liderar um esquema milionário de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões, teve passagem pela Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) entre 2012 e 2014 e, mais de uma década depois, voltou a mostrar interesse na estatal goiana.

Antônio Carlos assumiu o cargo de diretor comercial da Iquego após um contrato firmado em 2012 entre o Governo de Goiás, na gestão de Marconi Perillo (PSDB), e a Cruz Vermelha Brasileira (CVB). O acordo previa a recuperação da empresa por meio de investimentos milionários e modernização da produção. Contudo, em 2014, o contrato foi encerrado devido ao não cumprimento das metas estabelecidas.

Após deixar a presidência da estatal, o empresário passou a atuar como lobista junto à própria Iquego e, em 2024, tentou viabilizar parcerias que resultassem em contratos com o Ministério da Saúde (MS), em Brasília, sem sucesso.

Segundo apurações divulgadas pelo jornal O Popular, entrevistas de ex-funcionários ao portal Metrópoles, conversas de WhatsApp publicadas pelo G1 e documentos entregues à Polícia Federal (PF) indicam que Antônio Carlos buscava utilizar a Iquego como instrumento para fechar contratos e parcerias estratégicas.

O interesse estaria relacionado à vantagem de atuar com uma empresa pública, que pode fornecer produtos ao Sistema Único de Saúde (SUS) sem licitação, condição restrita a poucas instituições no país.

Conforme relatos de um ex-funcionário, Antônio Carlos utilizava a própria cunhada, Cláudia Santos, para representá-lo em contratos menores. Em 2024, ele conseguiu uma nova aproximação com a Iquego e chegou a apresentar empresas interessadas em parcerias. Mensagens de WhatsApp mostram o empresário questionando sobre processos, com Cláudia informando que 15 projetos haviam sido protocolados junto ao MS.

O ex-funcionário relatou ainda que Cláudia mantinha contato frequente com integrantes do chamado “grupo Iquego”, e que uma servidora da empresa, identificada como Vilma Aparecida Moreira, repassava informações ao grupo.

As movimentações estariam ligadas à empresa World Cannabis, controlada por Antônio Carlos. Desde o ano anterior, a Iquego manifestou interesse em produzir cannabis medicinal, além de testes rápidos de dengue e produtos de nutrição.

Os interesses do empresário passaram a ser investigados pela Polícia Federal, focando na tentativa de comercialização de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos e produtos nutricionais.

Em nota, a Iquego esclareceu que Antônio Carlos não mantém qualquer relação com a atual gestão. A estatal afirmou que não há registro oficial de visitas dele, de Cláudia Santos ou pessoas associadas, e que todos os processos de parcerias seguem procedimentos públicos e transparentes, sem influência direta do empresário.

A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes não foi localizada até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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