Um brasileiro morreu na guerra da Ucrânia no último dia 1º de setembro, horas depois de mandar uma mensagem de esperança para a esposa. Bruno de Paula Carvalho Fernandes, de 29 anos, técnico de enfermagem e natural de Governador Valadares (MG), havia se voluntariado para lutar ao lado das tropas ucranianas e sonhava em retornar em breve ao Brasil.
Poucas horas antes de perder a vida em combate, Bruno enviou um áudio à esposa, Cecília Fernandes. Nas palavras, misturava fé e otimismo:
“Não é uma despedida, jamais. É só uma mensagem de que daqui a uns dias estarei de volta. Deus é conosco.”
O jovem, pai de duas crianças pequenas, deixou no Brasil uma família abalada pela notícia e com dificuldades para acreditar na perda repentina.
Segundo Cecília, o marido foi recrutado por meio de grupos em redes sociais que prometiam salários de até R$ 30 mil mensais, além de transporte, hospedagem e alimentação pagos pelo governo ucraniano. Para financiar a viagem, ele chegou a vender o carro.
Em pouco tempo no front, Bruno sofreu ferimentos graves, chegou a ficar internado em uma UTI, mas voltou ao combate. “Ele dizia que não podia recusar, que era obrigado a ir”, contou a esposa.
No dia da morte, Bruno estava acompanhado de três combatentes — dois ucranianos e um brasileiro. Apenas o brasileiro sobreviveu, mas segue em estado grave.
As autoridades informaram que o corpo do mineiro continua em uma área de difícil acesso, o que tem impedido o resgate. Ele foi atingido na cabeça e nas pernas, sofrendo intenso sangramento.
O Itamaraty acompanha o caso e mantém contato com a família para orientar sobre os trâmites do traslado. O governo brasileiro já havia emitido alertas para que cidadãos não se envolvessem em conflitos armados no exterior.
Bruno deixa esposa e dois filhos, de cinco e seis anos, e uma história marcada por coragem, fé e também pela dura realidade enfrentada por voluntários em zonas de guerra. Sua trajetória reacende o debate sobre o recrutamento de brasileiros para combates internacionais e os riscos de cair em promessas sedutoras feitas pela internet.
Redação
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