sábado , 7 março 2026

Bebê de 4 meses com grave cardiopatia será transferido para hospital referência em São Paulo

O bebê Enrico dos Santos Silva, de apenas quatro meses, será transferido nesta quarta-feira (28) para o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Internado desde o nascimento na UTI do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, o bebê precisa dar continuidade a um tratamento cirúrgico de alta complexidade que não é realizado no estado.

Enrico nasceu com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, uma das cardiopatias congênitas mais graves, caracterizada pelo desenvolvimento incompleto do lado esquerdo do coração — responsável por bombear o sangue para todo o organismo. A condição exige um tratamento paliativo dividido em três etapas cirúrgicas, realizadas ao longo da infância.

Segundo a SES-GO, a criança será internada em uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica no hospital paulista, que é referência nacional em cardiologia. A transferência ocorre após semanas de mobilização da família, que chegou a acionar o Ministério Público para garantir o encaminhamento ao centro especializado.

De acordo com a equipe médica do Hugol, Enrico encontra-se clinicamente estável, respirando sem auxílio de aparelhos e sem necessidade de medicamentos para manutenção da pressão arterial. Apesar disso, o quadro é considerado de altíssimo risco, já que pacientes com esse tipo de cardiopatia podem apresentar piora súbita.

O coordenador da cardiologia pediátrica do Hugol, Tiago Dietrich, explicou que a próxima cirurgia não é de emergência imediata, mas precisa ser realizada em um hospital com estrutura altamente especializada.

“Ele está na categoria de cirurgia eletiva, programada. No entanto, é um procedimento extremamente complexo, que exige recursos como a ECMO, equipamento que funciona como coração e pulmão artificiais, e que não está disponível no Hugol”, afirmou.

A oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) é essencial em casos de falha cardíaca ou respiratória após cirurgias desse porte e está disponível apenas em poucos centros do país, principalmente em São Paulo.

A primeira etapa do tratamento foi realizada em setembro de 2025, quando Enrico passou por uma cirurgia de peito aberto com menos de um mês de vida. Dias depois, ele precisou de um procedimento complementar. As intervenções permitiram avanços importantes, como ganho de peso, retirada de aparelhos respiratórios e maior estabilidade clínica.

Agora, o bebê será submetido à segunda fase do tratamento, que envolve a ampliação da aorta e a ligação da veia cava superior à artéria pulmonar, reorganizando a circulação sanguínea. A terceira e última etapa costuma ser realizada apenas entre os três e quatro anos de idade.

A mãe de Enrico, Pollyane Morgane, relata que a cardiopatia foi identificada ainda durante o pré-natal e que, desde o nascimento, o filho permanece internado.

“Descobri o problema ainda na gravidez. Ele nasceu e já foi direto para o Hugol. Desde então, vivemos um dia de cada vez, sempre na expectativa”, contou.

Ela reconhece os esforços da equipe médica em Goiânia, mas destaca que a transferência era indispensável. “A equipe aqui faz tudo o que pode, mas essa cirurgia precisa ser feita em outro lugar. Foram dias muito difíceis, de muita apreensão”, desabafou.

Além da preocupação com a saúde do bebê, a família enfrenta dificuldades financeiras. Pollyane precisou deixar o trabalho para acompanhar o filho no hospital, enquanto o pai divide a rotina entre o emprego e os cuidados com a outra filha do casal, de cinco anos.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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