O feriado da Independência do Brasil, comemorado neste domingo (7), foi marcado por uma cena inusitada na Avenida Paulista, em São Paulo. Durante um ato de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma enorme bandeira dos Estados Unidos foi hasteada, enquanto a bandeira brasileira — bem menor — aparecia ao lado.
O contraste chamou a atenção e viralizou nas redes sociais, levantando questionamentos sobre o discurso de “patriotismo” dos manifestantes.
A polêmica ocorre em meio a um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em agosto, o governo norte-americano impôs um tarifaço de 50% sobre parte das exportações brasileiras, medida que atinge cerca de 36% dos produtos enviados ao país e ameaça empregos e a economia nacional.
Ainda assim, os apoiadores exibiram a bandeira estrangeira em destaque, o que aumentou as críticas sobre incoerência política e submissão simbólica.
A cena foi alvo de ironias e indignação nas redes sociais:
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“Não eram patriotas? A bandeira do Brasil minúscula atrás da dos EUA torna a cena ainda mais patética.”, escreveu o jornalista William De Lucca.
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“No dia da independência do Brasil, um bando de incoerentes pedindo a interferência de um país que está nos sancionando…”, disse a comunicadora Rosana Hermann.
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Já o presidente Lula publicou uma foto da bandeira brasileira no desfile oficial em Brasília, afirmando: “Nossa bandeira é o Brasil e o povo brasileiro.”
Do outro lado, o deputado Eduardo Bolsonaro defendeu a ação em inglês no X (antigo Twitter), alegando que os manifestantes buscavam “desmentir a narrativa de que Trump não é legítimo no Brasil”.
Para analistas, o episódio simboliza uma contradição profunda: enquanto o ato era vendido como demonstração de patriotismo, a imagem de exaltação a uma potência estrangeira sugere dependência e submissão.
O colunista Juremir Machado definiu a cena como um “culto ao tutor estrangeiro” e um exemplo de “patriotismo às avessas”.
O caso da bandeira na Paulista virou símbolo de incoerência política no 7 de Setembro de 2025. A cena escancarou a contradição de parte do movimento bolsonarista: falar em soberania e independência, mas colocar o símbolo de outra nação acima da bandeira brasileira.
Redação
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