Um áudio explosivo divulgado nesta semana mergulhou o governo argentino em uma das maiores crises desde o início da gestão de Javier Milei. A gravação, atribuída a Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), expõe supostas práticas de corrupção envolvendo figuras centrais do Palácio Presidencial.
As acusações
Na gravação, Spagnuolo afirma que Karina Milei, irmã e secretária-geral da Presidência, e o subsecretário Eduardo “Lule” Menem estariam cobrando propinas de até 8% sobre contratos milionários de medicamentos públicos. Segundo ele, Karina ficaria com uma fatia entre 3% e 4% desse valor.
“Eles estão roubando… Tenho todos os WhatsApps de Karina”, teria dito Spagnuolo no áudio, sugerindo que o próprio presidente estaria ciente do esquema.
Reação imediata
Após o vazamento, o governo argentino demitiu Spagnuolo e decretou intervenção na Andis. A Justiça, por sua vez, abriu uma investigação que já resultou em buscas e apreensões em escritórios públicos, empresas e residências. Foram encontrados documentos, celulares, dinheiro em espécie e até uma máquina de contar notas.
O caso está sob responsabilidade do juiz federal Sebastián Casanello, que conduz as investigações.
Impactos políticos e econômicos
O escândalo chega em um momento crucial, a poucas semanas das eleições legislativas de outubro. Milei, que vinha mantendo popularidade acima dos 40%, já enfrenta desgaste.
O mercado reagiu de forma negativa: ações argentinas caíram cerca de 4%, o peso perdeu quase 3% de valor e os títulos internacionais atingiram mínimas recentes.
Silêncio e negações
Até agora, Javier Milei não se pronunciou diretamente sobre o conteúdo do áudio. Karina Milei permanece em silêncio, enquanto Eduardo Menem afirmou que tudo não passa de uma “operação política” da oposição.
Parlamentares aliados também minimizam as denúncias, classificando o episódio como uma armação.
O cenário
O episódio expõe a fragilidade do governo diante de acusações de corrupção no alto escalão e lança dúvidas sobre a estabilidade política do país em pleno ano eleitoral. Além disso, acende um alerta para os efeitos econômicos em uma Argentina já abalada por inflação, dólar instável e dificuldades sociais.
Redação
integracaonews.com.br Portal de Notícias