O clima político em Brasília esquentou após a cobrança direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ministros do Centrão defendessem publicamente sua gestão. A fala, feita durante reunião ministerial, caiu como uma bomba dentro do União Brasil, que decidiu antecipar a discussão sobre a devolução dos cargos ocupados no governo federal.
A Executiva Nacional do partido marcou para a próxima terça-feira (2/9) uma reunião que pode selar o rompimento formal com o Palácio do Planalto. O principal alvo da medida é o ministro do Turismo, Celso Sabino, único integrante da legenda oficialmente no primeiro escalão.
Outros nomes, como Waldez Góes (Integração Nacional) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações), não entram nessa conta, já que suas indicações foram articuladas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e não representam a legenda de forma institucional.
Pressão interna
Nos bastidores, cresce a cobrança de lideranças do partido. O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, foi categórico ao afirmar:
“Já passou da hora de a decisão ser tomada.”
Governadores ligados à sigla, como Ronaldo Caiado (Goiás) e Mauro Mendes (Mato Grosso), também pressionaram em um grupo de WhatsApp para que a cúpula partidária defina logo a entrega dos cargos e marque posição clara diante do governo.
Resistência
Na contramão desse movimento, Celso Sabino tenta ganhar tempo. O ministro defende que não há motivo para precipitar a decisão e lembra que ainda falta um ano para as convenções partidárias. Para ele, a permanência do União Brasil no governo pode fortalecer espaços políticos e abrir diálogo.
Impactos políticos
A antecipação da reunião pegou de surpresa até mesmo integrantes da própria base aliada, já que a decisão só era esperada após a oficialização da federação entre União Brasil e Progressistas (PP) no Tribunal Superior Eleitoral. A mudança de rota sinaliza desgaste crescente na relação entre o partido e o presidente Lula.
Caso confirme a entrega do Ministério do Turismo, o União Brasil deve provocar um abalo direto na articulação política do Planalto, enfraquecendo ainda mais a base de apoio no Congresso e elevando as tensões que já marcam a relação entre Executivo e Legislativo.
Redação
integracaonews.com.br Portal de Notícias