sábado , 7 março 2026

Após crise com clã Bolsonaro, Tarcísio reforça apoio a Flávio e nega pressão de Jair Bolsonaro

Em seu primeiro evento público após a mais recente crise envolvendo o clã Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (23) que irá intensificar o apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e negou ter sofrido qualquer tipo de pressão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O ex-presidente nunca me pressionou. Por nada. Nosso relacionamento sempre foi de amigo. Ele nunca me pediu nada, a única coisa foi para ser candidato ao Governo do Estado de São Paulo”, declarou Tarcísio durante evento de entrega de moradias em Embu das Artes, na Grande São Paulo. “Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro. Não vai ter problema nenhum quanto a isso”, completou.

Nos últimos dias, o governador passou a ser alvo de críticas de aliados bolsonaristas após cancelar uma visita que faria a Jair Bolsonaro na chamada “Papudinha”. O gesto foi interpretado como falta de apoio à candidatura de Flávio e levantou especulações sobre uma possível articulação de Tarcísio para disputar a Presidência da República, hipótese negada pelo governador.

Tarcísio apresentou uma versão diferente para o cancelamento da visita, contrariando relatos de bastidores que apontavam incômodo com pressões feitas por Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o adiamento ocorreu exclusivamente por conflito de agenda. “O cancelamento é questão de agenda, não tem nada a ver. Quando você marca uma visita, o tribunal atribui uma data, e pode acontecer de naquela data não ser possível. Eu tinha uma razão pessoal, não podia ir, imediatamente pedi outra data para o Supremo, que já foi autorizada”, afirmou.

A visita havia sido autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes na segunda-feira (19), após pedido feito pela defesa de Bolsonaro, em iniciativa atribuída ao ex-presidente com intermediação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No entanto, após declarações de Flávio sugerindo que o encontro serviria para “enquadrar” o governador, Tarcísio decidiu cancelar a agenda. Na ocasião, alegou compromissos, embora tenha permanecido no Palácio dos Bandeirantes ao longo do dia.

Uma pessoa envolvida na articulação da visita afirmou que, caso houvesse conflito, seria possível ajustar as datas, já que Bolsonaro também solicitara encontros com outros dois aliados. Questionado diversas vezes sobre seus compromissos no dia do cancelamento, Tarcísio preferiu não detalhar.

Durante a cerimônia em Embu das Artes, o governador esteve acompanhado de autoridades locais, entre elas o ex-prefeito Ney Santos (Republicanos), condenado em novembro passado a três anos de prisão em regime semiaberto por porte ilegal de arma.

Na entrevista coletiva, Tarcísio classificou como “especulação” os relatos de que estaria construindo uma candidatura própria à Presidência. “Sempre falei que meu candidato é o Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele indicou o Flávio. Então, quem é meu candidato agora? O Flávio. Não é nada diferente do que eu falo desde 2023”, afirmou, afastando qualquer possibilidade de renúncia ao governo paulista. “Não vou apresentar uma carta de renúncia em abril”, completou.

O governador também reforçou que tem dado apoio efetivo ao senador. “Mais enfático do que isso?”, questionou.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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