sábado , 7 março 2026

Acrilamida: Substância tóxica é detectada em peixes de córrego em Bela Vista de Goiás

Um estudo recente acendeu o alerta ambiental em Goiás: a substância acrilamida, conhecida por seus efeitos tóxicos e potencial cancerígeno, foi detectada em peixes do Córrego Sussuapara, que corta a zona rural do município de Bela Vista, na Região Metropolitana de Goiânia.

A descoberta foi feita por pesquisadores do projeto AquaCerrado, que monitora a qualidade das águas na bacia do Rio Paranaíba, um dos principais afluentes do Rio Paraná. Os cientistas encontraram níveis elevados da substância em diversas espécies de peixes, em especial em um exemplar com concentração de 4,22 miligramas por litro (mg/L) — valor considerado muito acima dos parâmetros toleráveis para a saúde humana e ambiental.

“Foi um achado preocupante. Essa concentração é extremamente alta e exige investigação urgente das fontes de contaminação”, disse um dos pesquisadores envolvidos no estudo, que preferiu não ser identificado por enquanto.

A acrilamida é um composto químico utilizado principalmente na indústria, na fabricação de plásticos e no tratamento de água. Apesar de ter uso regulamentado, a substância é considerada potencialmente cancerígena por organizações como a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC).

No Brasil, a presença de acrilamida em água potável é limitada por norma do Ministério da Saúde a 0,5 micrograma por litro (µg/L). Para se ter ideia, o valor encontrado em um dos peixes analisados é mais de 8 mil vezes superior ao permitido na água de consumo humano.

Além disso, a acrilamida pode se formar em alimentos assados ou fritos a altas temperaturas, como batatas fritas, torradas e café. No entanto, a presença da substância em peixes de rios é incomum e alarmante.

Curiosamente, as análises da água do córrego não detectaram acrilamida em níveis significativos, o que levanta a suspeita de que os peixes possam estar sendo contaminados por meio de uma exposição crônica ou pontual – como despejos irregulares ou resíduos industriais invisíveis em amostragens pontuais.

“Os peixes acumulam substâncias tóxicas ao longo do tempo. Mesmo que a água esteja limpa hoje, se houve contaminação anterior ou contínua, o organismo dos animais pode refletir isso”, explica um dos cientistas.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) confirmou que está acompanhando a situação e que pretende realizar novos testes e ampliar o monitoramento na região. Também não estão descartadas ações de fiscalização ambiental nas imediações do córrego.

Enquanto isso, os pesquisadores recomendam cautela à população local em relação ao consumo de peixes da região até que as causas e os riscos da contaminação sejam esclarecidos.

Fonte: Maisgoiás

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