sábado , 7 março 2026

Técnicos de enfermagem são investigados por mortes de pacientes em UTI do DF

Os técnicos em enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva são suspeitos de envolvimento na morte de cerca de 20 pacientes, conforme divulgado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na tarde desta terça-feira (20). O trio passou a ser tratado como serial killers após a confissão de Marcos, de 24 anos, natural de Goiás, e de Marcela, de 22 anos, que admitiram a prática de três homicídios contra pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal.

Segundo a investigação, Marcos é apontado como líder do esquema e principal autor das mortes, enquanto as outras duas técnicas teriam atuado como facilitadoras. De acordo com a PCDF, o técnico aplicava doses elevadas de medicamentos de forma intencional, utilizando-os como veneno. Em um dos casos, ele chegou a injetar desinfetante diretamente na veia de uma paciente.

Entre as vítimas identificadas estão:

  • Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos – os três suspeitos respondem por homicídio qualificado;

  • João Clemente Pereira, servidor público de 63 anos – Marcos e uma das técnicas respondem por homicídio qualificado;

  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, servidor público de 33 anos – Marcos e a outra técnica respondem por homicídio qualificado.

Conforme a Polícia Civil, Marcos negou inicialmente os crimes durante interrogatório, mas confessou após ser confrontado com imagens do circuito interno de segurança do hospital, que registraram as ações. A frieza e a tranquilidade demonstradas pelo técnico chamaram a atenção dos investigadores. Marcela também negou envolvimento no início, mas acabou reconhecendo os fatos ao ver os vídeos e afirmou que se arrepende de não ter impedido o colega.

Marcos atuava na área da enfermagem há cerca de cinco anos. Após a abertura da investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos. A Polícia Civil informou ainda que o técnico já trabalhava em outra unidade de saúde, em uma UTI pediátrica de um hospital particular em Taguatinga. A corporação não detalhou se as demais possíveis vítimas também eram pacientes do Anchieta ou se os crimes ocorreram em outros hospitais por onde Marcos passou.

As investigações tiveram início após o hospital perceber uma piora súbita e recorrente no quadro clínico de pacientes internados na UTI. Ao analisar as imagens das câmeras de segurança, a Polícia Civil constatou que os medicamentos eram aplicados justamente nos momentos em que as vítimas apresentavam quadros críticos.

Em um dos casos, a idosa Miranilde recebeu 13 aplicações de desinfetante diretamente na veia, além de quatro medicações irregulares anteriores, que provocaram seis paradas cardíacas, segundo a PCDF.

Em outra situação, Marcos teria utilizado a senha de um médico para emitir uma receita fraudulenta, retirando o medicamento na farmácia do hospital e aplicando-o nas três vítimas sem autorização da equipe médica. Duas aplicações ocorreram no dia 17 de novembro do ano passado e a terceira no dia 1º de dezembro.

De acordo com a polícia, após provocar o agravamento dos quadros, o técnico realizava manobras de massagem cardíaca nos pacientes, numa tentativa de simular esforço de reanimação e ocultar a autoria dos crimes.

As prisões dos três técnicos ocorreram no dia 11 deste mês. Na ocasião, foram cumpridos também mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. A segunda fase da operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), com apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que tomou conhecimento dos fatos divulgados pela imprensa e que acompanha o caso, adotando as providências cabíveis dentro de sua competência legal.

O órgão destacou que o caso segue sob investigação das autoridades e tramita na esfera judicial, ressaltando a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O Coren-DF afirmou ainda manter compromisso com a segurança dos pacientes, a ética profissional e a defesa de uma enfermagem responsável e comprometida com a vida.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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