O desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no Sul de Goiás, passou a ser analisado à luz de um histórico de conflitos dentro do condomínio onde ela morava. Novas informações e imagens obtidas durante as investigações indicam que Daiane mantinha desentendimentos frequentes com vizinhos, funcionários e a administração do prédio. O caso, que segue sem esclarecimento quase um mês após o sumiço, continua sob apuração da Polícia Civil.
Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro, após ser vista pela última vez nas dependências do condomínio. Desde então, não há registros de que ela tenha deixado o local pela portaria principal ou pela garagem, o que reforça o mistério em torno do caso.
Segundo relatos colhidos pela Polícia Civil, a corretora era alvo constante de reclamações por barulho excessivo e comportamento considerado agressivo. Em agosto do ano passado, moradores chegaram a realizar uma assembleia para discutir a expulsão dela do condomínio. De acordo com informações apuradas, 52 dos 58 condôminos teriam votado a favor da medida. Seis dos apartamentos do prédio pertencem à família da corretora.
Entre os episódios mais recentes, imagens de câmeras de segurança registraram uma discussão entre Daiane e uma funcionária responsável pela limpeza das áreas comuns. Conforme o relato da prestadora de serviço, a corretora teria empurrado um carrinho de compras e atingido um balde com água, iniciando um desentendimento no corredor. A situação teria se estendido até a recepção, com a presença do síndico. Ainda segundo a funcionária, além da agressão, Daiane teria feito ofensas direcionadas ao filho dela.
Em outra ocorrência, a corretora teria tentado quebrar uma porta de vidro de uma área comum após se irritar com um vizinho. Os conflitos ocorreram principalmente no primeiro semestre de 2025, meses antes do desaparecimento, mas familiares afirmam que o clima de tensão persistiu até dezembro.
Natural de Uberlândia (MG), Daiane morava sozinha no condomínio e administrava seis apartamentos da família no local, mantendo contato frequente com a administração por conta das locações.
As últimas imagens conhecidas mostram Daiane descendo pelo elevador para reclamar da falta de energia em seu apartamento. Minutos antes de desaparecer, ela gravou um vídeo e enviou a uma amiga, afirmando que todas as contas estavam pagas e que iria até a recepção verificar o motivo do corte. O vídeo termina antes que ela seja atendida.
Em seguida, câmeras internas registram a corretora descendo novamente, desta vez para o subsolo, área onde ficam a garagem e o quadro geral de energia. A partir desse momento, não há mais registros dela.
Para a família, o desaparecimento segue sem explicação. A mãe, Nilse Alves, afirma que a filha “simplesmente desapareceu dentro de casa”. O carro da corretora está em Uberlândia, e não há imagens que indiquem sua saída do condomínio.
A Polícia Civil informou ao Integração News que as investigações continuam em andamento e que o caso passou a ser acompanhado pela Delegacia de Homicídios. Uma das linhas de apuração considera a possibilidade de Daiane ter sido colocada no porta-malas de um veículo, que teria saído por uma área sem cobertura de câmeras de segurança. Segundo os investigadores, nenhuma hipótese está descartada.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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