sábado , 7 março 2026

Morte de pioneiro da PRF em Goiás comove amigos e deixa legado de amizade, generosidade e histórias inesquecíveis

O falecimento de Antônio Aparecido Flamínio, aos 91 anos, integrante da primeira turma da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Goiás, causou comoção entre amigos e familiares. A trajetória do policial aposentado foi marcada por vínculos profundos de amizade, generosidade e histórias que atravessaram gerações, lembradas agora com carinho por quem conviveu com ele.

Um desses amigos é o produtor rural Osmar Saran, de 77 anos. Juntos, eles mantinham o hábito de pescar em um rancho localizado entre Buriti Alegre e Água Limpa. Na última pescaria, em novembro de 2025, Flamínio comentou que aquela seria sua despedida da atividade que cultivaram por anos. O gesto não foi um presságio, mas consequência de um problema de saúde que já limitava sua locomoção.

A amizade entre Flamínio e Osmar ultrapassou o convívio pessoal e se integrou à história das famílias. O ex-PRF foi padrinho de casamento dos dois filhos do amigo. Um deles, o engenheiro de produção Silvio Saran, de 47 anos, recorda conselhos que guarda até hoje. “Quando me casei, ele disse que havia dois momentos do dia em que não se deve discutir com a esposa: na hora da refeição e na hora de dormir. Ele considerava esses momentos sagrados”, relembra.

Segundo Silvio, além de conselheiro, Flamínio era tranquilo, ponderado e gostava de conversar sobre política, futebol e, principalmente, relembrar histórias do período em que atuou na PRF. “Ele dizia que, na época dele, não existiam radares, então ele e o parceiro decidiam quais carros deveriam ser multados por excesso de velocidade”, conta. Foi também Flamínio quem se prontificou a ser fiador do contrato de aluguel quando Silvio deixou Morrinhos para estudar em Goiânia.

Antônio Aparecido Flamínio tinha uma filha que vive na Bélgica, com quem mantinha uma relação muito próxima, segundo amigos, e era profundamente apaixonado pelos dois netos gêmeos. Orgulhava-se, inclusive, do fato de as crianças serem poliglotas desde cedo. Nos últimos anos, conviveu com a ausência da esposa, Albertina, mas lidava com o luto de forma serena. Mantinha presença constante na vida dos amigos, a quem enviava mensagens de “bom dia” diariamente, sempre antes do amanhecer.

Ex-PRF mantinha hábito de mensagens diárias
Quem já sente falta dos cumprimentos matinais é a dona de casa Carla Cristina Rodrigues dos Santos, de 34 anos. Ela e o marido foram inquilinos de um imóvel de Flamínio por cerca de sete anos. O ex-policial costumava visitar o casal para um café à tarde e boas conversas. Foi dele o incentivo para que reservassem parte da renda com o objetivo de construir um patrimônio.

O conselho foi seguido. Carla e o marido conseguiram sair do aluguel e hoje vivem em casa própria no setor Cândida de Morais, em Goiânia. Ela também recorda o apoio recebido em um dos momentos mais difíceis da família, quando o esposo, o eletricista Heliton Rodrigues de Sousa, de 38 anos, enfrentou um quadro de depressão.

“Era sempre uma mensagem de apoio e carinho. Ele dizia para termos fé, que tudo ia passar. Quando meu esposo passou por aquela fase difícil, ele falou para não nos preocuparmos com o aluguel, que isso resolveríamos depois. O mais importante era o Heliton ficar bem. Um ser humano extremamente generoso e compreensivo. Já estou sentindo muita falta”, relata Carla.

Ela ainda recorda, com humor, os hábitos profissionais que Flamínio mantinha mesmo fora do serviço. “Eu morria de rir quando íamos visitá-lo de carro. Ele já chegava dizendo que meu marido estava sendo multado por dirigir de chinelo. Depois batia na luz de freio e falava: ‘queimada’. Eu brincava: ‘você veio aqui só para tomar multa do seu Antônio?’”.

A história de Antônio Aparecido Flamínio, agora lembrada no Integração News, permanece viva na memória daqueles que conviveram com sua amizade, seus conselhos e sua humanidade.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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