sábado , 7 março 2026

Caso Banco Master: Previdência alerta que Estados e municípios terão de cobrir rombo bilionário em fundos públicos

O Ministério da Previdência Social concluiu, após questionamentos parlamentares, que Estados e municípios deverão assumir eventuais rombos em fundos de previdência decorrentes do caso envolvendo o Banco Master. Ao menos R$ 1,8 bilhão em Letras Financeiras foram aplicados por institutos previdenciários à instituição, que teve a liquidação extrajudicial decretada há cerca de dois meses. Entre os entes com exposição está o município de Aparecida de Goiânia.

“Com a liquidação do Banco Master realizada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025, caso as contribuições do regime ou recursos por ele acumulados venham a se tornar insuficientes, o ente é o responsável por adimplir com essas obrigações”, afirmou o Ministério da Previdência Social em resposta oficial.

Em nota, o Instituto de Previdência dos Servidores de Aparecida (AparecidaPrev) informou que a aplicação de R$ 40 milhões em Letras Financeiras do Banco Master ocorreu em junho de 2024, durante a gestão do ex-prefeito Vilmar Mariano. O instituto também destacou que irá se habilitar como credor para reaver os valores investidos e os respectivos rendimentos. Segundo o AparecidaPrev, o patrimônio atual do fundo é de aproximadamente R$ 1 bilhão, o que garante que aposentados e pensionistas não serão prejudicados.

O Integração News também procurou a Prefeitura de Goiânia para esclarecimentos. Em resposta, o Executivo municipal reforçou que o GoiâniaPrev não possui nem possuía aplicações em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. “Vale ressaltar que, conforme informações divulgadas pelo próprio Ministério da Previdência Social em novembro de 2025, o Instituto não figura entre os Regimes Próprios de Previdência Social com exposição à referida instituição financeira”, informou. Dessa forma, a previdência da capital afirmou não haver qualquer impacto para o município ou para o instituto.

Os esclarecimentos do Ministério da Previdência foram prestados após questionamentos da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), que solicitou detalhes sobre a situação do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) e os riscos envolvidos. Conforme o entendimento da pasta, caso faltem recursos para o pagamento de aposentadorias e pensões em razão do caso Banco Master, caberá aos Tesouros dos respectivos entes federativos cobrir os prejuízos.

“A aplicação de R$ 40 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Aparecida (AparecidaPrev) em Letras Financeiras do Banco Master foi realizada pela administração do ex-prefeito Vilmar Mariano, em junho de 2024.

Como a aplicação foi realizada em instituição financeira com nota inferior ao permitido pela política vigente do AparecidaPrev, contrariando os critérios estabelecidos, assim que assumiu a gestão, em janeiro de 2025, a atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, notificou o Conselho Deliberativo da Previdência e comunicou formalmente os órgãos de controle, além de apresentar denúncia ao Ministério Público e ao Ministério da Previdência para apuração de responsabilidades.

Por se tratar de uma aplicação com prazo de longo período — 10 anos —, não foi possível o resgate antecipado. Até outubro de 2025, o investimento havia rendido R$ 7 milhões. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, o AparecidaPrev irá se habilitar como credor para receber o valor aplicado e os rendimentos.

A atual gestão reforça que tem atuado com transparência e responsabilidade para proteger o patrimônio previdenciário dos servidores municipais, adotando todas as medidas cabíveis para resguardar os recursos do Regime Próprio de Previdência Social. Diante do patrimônio atual de cerca de R$ 1 bilhão, nenhum aposentado ou pensionista será prejudicado.”

“O GoiâniaPrev esclarece que não possui ou possuiu aplicações em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Conforme informações divulgadas pelo próprio Ministério da Previdência Social em novembro de 2025, o Instituto não figura entre os Regimes Próprios de Previdência Social com exposição à referida instituição financeira.

Nesse contexto, não foi identificado qualquer impacto para o Município de Goiânia ou para o Instituto em decorrência das informações divulgadas sobre eventuais responsabilidades de estados e municípios relacionadas a investimentos no Banco Master.

O Instituto encontra-se em fase de levantamento e organização da documentação necessária à adoção das medidas cabíveis, inclusive judiciais, visando à saída definitiva de fundos remanescentes e à salvaguarda do interesse previdenciário.

Por fim, o GoiâniaPrev reitera que acompanha permanentemente a evolução dos fatos e mantém sua carteira de investimentos em conformidade com a legislação vigente, observando rigorosamente os princípios da segurança, transparência e responsabilidade fiscal.”

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros e havia esgotado todas as alternativas de solução de mercado. A medida resultou no afastamento da diretoria e no acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre apenas parte dos prejuízos, dentro dos limites legais.

A Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes financeiras, prejuízos a um banco público e falhas na gestão de riscos. As apurações se concentram em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Distrito Federal, e transações com fundos ligados à gestora Reag. Segundo a investigação, há indícios de registros contábeis incompatíveis com a realidade e ativos inflados. Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e figura central do caso, chegou a ser preso, mas foi posteriormente liberado.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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