sábado , 7 março 2026

Policiais militares são absolvidos pelo Tribunal do Júri após mortes de irmãos em Trindade

Três policiais militares acusados pela morte dos irmãos Victor de Paula Araújo, de 21 anos, e Kalebe de Paula Araújo, de 18, em janeiro de 2020, no Setor Maysa II, em Trindade, foram absolvidos nesta terça-feira (2) pelo Tribunal do Júri. O caso tramitou na Justiça por quase seis anos.

Segundo a promotoria, a abordagem policial terminou de forma violenta e inesperada, sem possibilidade de reação para as vítimas. Victor teria sido atingido por três disparos e Kalebe, por dois. O Ministério Público (MP) apontou excesso na ação e suspeita de tentativa de alterar a cena para sustentar a versão de confronto.

Durante o julgamento, que durou várias horas no plenário do Tribunal do Júri de Trindade, os jurados ouviram testemunhas, os acusados e profissionais que atenderam a ocorrência. A defesa dos policiais manteve a tese de que eles reagiram após supostos disparos vindos do interior da residência, agindo para preservar a própria vida.

Mesmo após quase seis anos, familiares dos jovens aguardavam responsabilização. O pai, Eligar Silva Araújo, afirmou que um dos filhos estava estudando no momento da abordagem e que não havia armas na residência. O júri foi composto por seis mulheres e um homem. No total, 11 testemunhas foram ouvidas, incluindo os três militares acusados. A acusação questionou a investigação, citando o intervalo entre os disparos e o pedido de socorro, além da ausência de impressões digitais nas armas atribuídas às vítimas e a chegada de reforços policiais antes da entrada da equipe de resgate.

A defesa alegou que os policiais atendiam uma denúncia de tráfico de drogas na região e que, ao tentar abordar um dos irmãos, teriam sido surpreendidos, disparando durante a contenção da situação, nos fundos da residência. Baseado nessas versões, o Conselho de Sentença considerou que os militares agiram em legítima defesa e no estrito cumprimento do dever legal, julgando improcedente a denúncia.

O Mais Goiás tentou contato com familiares e com as defesas dos acusados, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Os irmãos morreram em 6 de janeiro de 2020, durante ação da Polícia Militar (PM) no Setor Maysa II. Segundo a corporação, houve confronto policial e ambos eram suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, porte ilegal de armas e participação em facção criminosa. O Bope informou que cada suspeito possuía mais de 20 antecedentes criminais. Na residência, foram apreendidos dois tabletes de maconha, três armas de fogo e um simulacro.

A família contestou a versão da PM, afirmando que apenas Victor teria envolvimento com drogas. O primo dos jovens relatou que, no momento da ação, eles jogavam vídeo game. A tela do computador ainda estava ligada quando a família chegou à residência. Os irmãos moravam com o pai, que estava trabalhando, e não havia mais ninguém na casa. Após a perda, o homem decidiu vender o imóvel e se mudar do bairro.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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