sábado , 7 março 2026

Morre aos 87 anos José Gonzaga Ribeiro, modelo negro do Monumento às Três Raças, em Goiânia

O professor aposentado José Gonzaga Ribeiro, reconhecido por servir de modelo para o personagem negro do Monumento às Três Raças, um dos símbolos mais importantes de Goiânia, faleceu aos 87 anos. Natural de Caldas Novas, ele teve complicações após uma cirurgia provocada por uma queda. Ribeiro deixa esposa, filhos, netos e uma bisneta.

Figura essencial na história da arte pública goianiense, José Gonzaga contribuiu diretamente para a criação do monumento, desenvolvido no início dos anos 1960 pela artista Neusa Moraes. A obra foi encomendada pelo Rotary Club Internacional como forma de homenagear os trabalhadores anônimos que ajudaram a construir a cidade.

Para criar a escultura, Neusa pediu ao fotógrafo Galeno Martins de Araújo registros de trabalhadores que representassem a formação do Estado de Goiás. Foi a partir de um desses registros que José Gonzaga serviu de referência para o personagem negro da obra, instalada na Praça Cívica, em frente ao Palácio das Esmeraldas, residência oficial do governador. Inaugurada em 1960, a escultura se tornou um dos marcos mais conhecidos e visitados da capital.

Além de sua importância para a memória cultural de Goiânia, José Gonzaga teve uma trajetória marcante na educação. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), ele foi um “educador dedicado” e peça fundamental para o ensino no estado. José passou pela antiga Escola Técnica Federal (hoje Instituto Federal de Goiás – IFG) como aluno, professor e ocupou diversos cargos ao longo de décadas de atuação.

O Monumento às Três Raças é considerado o marco zero de Goiânia. A escultura retrata três homens – um branco, um negro e um indígena – que erguem juntos uma mesma estrutura, simbolizando a união das etnias que formam a sociedade brasileira, e especialmente a goiana.

O objetivo da obra era homenagear os trabalhadores que participaram da construção da cidade, mas que não tiveram registro na história oficial. Por isso, as figuras não representam pessoas específicas, mas sim o esforço coletivo que tornou possível a edificação da nova capital nos anos 1930.

Com traços fortes e expressivos, a obra transmite sensação de esforço e movimento, podendo também ser interpretada como uma metáfora da construção contínua da sociedade, baseada no trabalho conjunto, na superação de desafios e na união de diferentes identidades culturais.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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