Dois dos principais caçadores de onça-pintada do Brasil foram presos em flagrante durante uma operação realizada no município de São Miguel do Araguaia, no Norte de Goiás. A ação foi conduzida pelo Batalhão de Polícia Militar de Operações Ambientais (BPMOA) em parceria com a Agência Local de Inteligência, após uma denúncia anônima que incluiu áudios, fotos e vídeos comprovando o abate ilegal de felinos ameaçados de extinção.
Segundo a polícia, a dupla cobrava entre R$ 2 mil e R$ 5 mil por animal abatido e é apontada como responsável pela morte de dezenas de onças-pintadas. Nas gravações entregues aos investigadores, os homens aparecem utilizando cães de caça para rastrear e atacar os felinos. Em um dos vídeos — que não será divulgado devido ao conteúdo extremamente violento — uma onça ferida é encurralada e morta por cerca de dez cães, enquanto os caçadores comemoram o ataque.
Em outro áudio, um dos suspeitos comenta sobre a frequência dos abates e descreve detalhes da atividade ilegal.
“Tem onça demais na região. Já matamos umas boas ali. A gente precisa enganar elas pra cair na armadilha, porque são muito espertas”, diz.
O homem ainda demonstra preocupação com a polícia:
“A gente fica apreensivo e com medo da polícia, porque isso é melindroso. Mas se for num lugar onde ninguém mexe, é mais fácil resolver o problema”, afirmou em mensagem interceptada.
Durante a operação, as equipes apreenderam três armas de fogo e uma presa de onça, usada pelos suspeitos como troféu. Os dois foram autuados por caça predatória e posse ilegal de arma de fogo, permanecendo à disposição da Justiça. As investigações agora buscam identificar outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.
De acordo com a Lei nº 9.605/1998, os crimes cometidos contra a fauna silvestre preveem:
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Maus-tratos à onça (artigo 32): detenção de 3 meses a 1 ano;
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Abate do animal (artigo 29): detenção de 6 meses a 1 ano;
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Multa ambiental: R$ 5 mil por onça morta, conforme o artigo 24 do Decreto nº 6.514/2008.
A onça-pintada é um dos maiores símbolos da fauna brasileira e desempenha papel essencial nos ecossistemas do Pantanal, Cerrado e Amazônia. Como predadora de topo da cadeia alimentar, ela ajuda a controlar as populações de presas, como capivaras, veados e jacarés, garantindo o equilíbrio ecológico e a manutenção da biodiversidade.
Segundo o BPMOA, a caça desses animais representa uma grave ameaça à biodiversidade e uma perda irreparável para o meio ambiente.
“A presença da onça-pintada indica ambientes preservados e saudáveis. Ela é um símbolo da riqueza natural do nosso país”, destacou a corporação em nota oficial.
O batalhão reforça a importância da participação popular no combate aos crimes ambientais.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima, 24 horas por dia, pelo WhatsApp do Batalhão Ambiental: (62) 9611-2182.
“Sua atitude protege a natureza”, reforça a corporação.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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