Conversas gravadas obtidas com exclusividade pelo Goiás da Gente indicam que um dos internos do Espaço Terapêutico Dom da Vida, em Trindade, pode ter sido coagido a participar do sequestro de uma mulher de 43 anos, ocorrido em Goiânia no último domingo (2). O crime teria sido orquestrado pelo próprio pai da vítima, motivado por desentendimentos familiares relacionados à herança deixada pela avó.
Segundo a mãe do jovem, que estava internado há cerca de 30 dias na clínica, após a prisão do filho ela entrou em contato com o atual coordenador da instituição, cobrando providências. O rapaz é suspeito de envolvimento em um crime investigado pela Polícia Civil como tentativa de sequestro, embora possua laudo psiquiátrico, faça uso de medicamentos controlados e não tivesse autorização para deixar o local. Ele estava em tratamento com previsão de três meses.
Durante a conversa gravada pela mãe, um funcionário da clínica confirmou que o jovem e outros dois internos foram recrutados pelo ex-coordenador do espaço, que estava de folga, mas comandou a ação à distância, enviando áudios com instruções para conduzir a mulher à força. Apesar disso, o atual coordenador tentou isentar a clínica, alegando que o trio teria pego o carro sem permissão.
A mulher rebateu a versão, e o funcionário acabou entrando em contradição: “Então ele não saiu escondido, saiu com autorização do Renan. O senhor acabou de dizer isso”, afirmou. Em seguida, ele admitiu que o trio tinha acesso às chaves do veículo, usado com frequência em outras remoções, mas tentou minimizar o caso ao dizer que o episódio “não foi autorizado oficialmente”, antes de reconhecer: “Sim, eu confirmo que ele teve a autorização do Renan.”
A mãe do jovem relatou que ele foi internado voluntariamente para tratamento de depressão profunda e alcoolismo, após apresentar pensamentos suicidas. Ela reforçou que ele não possui antecedentes criminais e trabalha formalmente. “Meu filho tem laudo psiquiátrico. Eu o deixei sob cuidado da clínica e, agora, ele está preso. Quero que tirem ele da cadeia”, desabafou.
Segundo a mulher, ao entregar o filho à clínica, também forneceu o laudo psiquiátrico e assinou o contrato de internação, pagando R$ 1.400, valor referente à entrada e três parcelas antecipadas. “Ele foi usado para um crime. Paguei acreditando que ele estaria em tratamento, e não que seria envolvido nisso”, afirmou.
Durante a conversa, a mãe reforçou que deixou o filho sob responsabilidade da clínica e que caberia à instituição retirá-lo da Casa de Prisão Provisória, garantindo que só o buscaria no local onde o deixou. O coordenador informou que a clínica estava tentando pagar a fiança para liberar o jovem e mantinha contato com o delegado responsável, mas ele acabou autuado em flagrante e não teve direito ao benefício. Ele e os outros dois detidos aguardam audiência de custódia.
O caso é investigado com base na Lei Maria da Penha, por envolver violência contra a mulher. O jovem responde por lesão corporal e cárcere privado, crimes previstos no Código Penal. A vítima foi resgatada pela Polícia Militar, apresentando lesões compatíveis com contenção física.
Até o fechamento desta matéria, o Espaço Terapêutico Dom da Vida não quis se pronunciar sobre o caso, mas informou que permanece aberto para futuras manifestações. A reportagem também tentou contato com o delegado responsável, sem retorno até o momento.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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