sábado , 7 março 2026

Interno de clínica em Trindade é suspeito de envolvimento em sequestro em Goiânia; familiares alegam que ele foi coagido

Conversas gravadas obtidas com exclusividade pelo Goiás da Gente indicam que um dos internos do Espaço Terapêutico Dom da Vida, em Trindade, pode ter sido coagido a participar do sequestro de uma mulher de 43 anos, ocorrido em Goiânia no último domingo (2). O crime teria sido orquestrado pelo próprio pai da vítima, motivado por desentendimentos familiares relacionados à herança deixada pela avó.

Segundo a mãe do jovem, que estava internado há cerca de 30 dias na clínica, após a prisão do filho ela entrou em contato com o atual coordenador da instituição, cobrando providências. O rapaz é suspeito de envolvimento em um crime investigado pela Polícia Civil como tentativa de sequestro, embora possua laudo psiquiátrico, faça uso de medicamentos controlados e não tivesse autorização para deixar o local. Ele estava em tratamento com previsão de três meses.

Durante a conversa gravada pela mãe, um funcionário da clínica confirmou que o jovem e outros dois internos foram recrutados pelo ex-coordenador do espaço, que estava de folga, mas comandou a ação à distância, enviando áudios com instruções para conduzir a mulher à força. Apesar disso, o atual coordenador tentou isentar a clínica, alegando que o trio teria pego o carro sem permissão.

A mulher rebateu a versão, e o funcionário acabou entrando em contradição: “Então ele não saiu escondido, saiu com autorização do Renan. O senhor acabou de dizer isso”, afirmou. Em seguida, ele admitiu que o trio tinha acesso às chaves do veículo, usado com frequência em outras remoções, mas tentou minimizar o caso ao dizer que o episódio “não foi autorizado oficialmente”, antes de reconhecer: “Sim, eu confirmo que ele teve a autorização do Renan.”

A mãe do jovem relatou que ele foi internado voluntariamente para tratamento de depressão profunda e alcoolismo, após apresentar pensamentos suicidas. Ela reforçou que ele não possui antecedentes criminais e trabalha formalmente. “Meu filho tem laudo psiquiátrico. Eu o deixei sob cuidado da clínica e, agora, ele está preso. Quero que tirem ele da cadeia”, desabafou.

Segundo a mulher, ao entregar o filho à clínica, também forneceu o laudo psiquiátrico e assinou o contrato de internação, pagando R$ 1.400, valor referente à entrada e três parcelas antecipadas. “Ele foi usado para um crime. Paguei acreditando que ele estaria em tratamento, e não que seria envolvido nisso”, afirmou.

Durante a conversa, a mãe reforçou que deixou o filho sob responsabilidade da clínica e que caberia à instituição retirá-lo da Casa de Prisão Provisória, garantindo que só o buscaria no local onde o deixou. O coordenador informou que a clínica estava tentando pagar a fiança para liberar o jovem e mantinha contato com o delegado responsável, mas ele acabou autuado em flagrante e não teve direito ao benefício. Ele e os outros dois detidos aguardam audiência de custódia.

O caso é investigado com base na Lei Maria da Penha, por envolver violência contra a mulher. O jovem responde por lesão corporal e cárcere privado, crimes previstos no Código Penal. A vítima foi resgatada pela Polícia Militar, apresentando lesões compatíveis com contenção física.

Até o fechamento desta matéria, o Espaço Terapêutico Dom da Vida não quis se pronunciar sobre o caso, mas informou que permanece aberto para futuras manifestações. A reportagem também tentou contato com o delegado responsável, sem retorno até o momento.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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