sábado , 7 março 2026

Jovem vítima de tentativa de feminicídio aguarda julgamento em Goiatuba

Dyullya Rodrigues Nunes, de 20 anos, é um exemplo de força e esperança. Apesar da violência brutal que sofreu no ano passado, ela mantém o sorriso no rosto e um coração cheio de sonhos. Em conversa com o Goiás da Gente, Dyullya falou sobre sua recuperação, os desafios do dia a dia e a expectativa para o julgamento do ex-namorado Gleniton Lopes Ribeiro, acusado de tentativa de feminicídio contra ela.

O crime aconteceu em maio do ano passado, em um salão de beleza em Goiatuba. Gleniton, que era seu namorado na época, atirou nas costas da jovem, deixando-a sem os movimentos das pernas. Desde então, a vida de Dyullya mudou completamente. Além das sequelas físicas que a impedem de trabalhar no salão, onde atuava, sua rotina e a da família também foram transformadas.

“Eu não tinha controle do tronco, que é fundamental para trabalhar. Minha mãe precisou parar de trabalhar para cuidar de mim. A rotina de casa mudou muito”, contou Dyullya. Ela passou 40 dias internada, sendo oito deles sem conseguir se mover, dependendo totalmente da mãe para as tarefas mais simples.

Hoje, a jovem segue firme na recuperação. Faz fisioterapia todos os dias e hidroterapia duas vezes por semana, tudo de forma particular, já que não podia esperar pelo atendimento público. “Hoje consigo me alimentar sozinha e também estou estudando. Tenho orgulho do que já conquistei, mas ainda tem muito pela frente”, disse.

Aos 19 anos, Dyullya iniciou o curso de Biomedicina em Itumbiara, inspirada pela mãe, e mesmo com o ocorrido, não abandonou o sonho. Transferiu-se para Goiatuba, onde segue na modalidade semipresencial. “Meu hobby é estudar. Quando me visitam, se surpreendem porque nem TV eu tenho no quarto!”, brinca.

Apesar da nova realidade, Dyullya mantém o carinho dos amigos e da família. Ela revela que antes gostava de sair e viajar, mas hoje prefere o aconchego de casa, onde mora com a mãe, o padrasto e dois irmãos. “A independência ainda é um desafio, mas sigo firme.”

O julgamento de Gleniton Lopes Ribeiro acontece nesta quinta-feira (23), no Plenário Hermes Bernardes dos Santos, na Câmara Municipal de Goiatuba, às 8h30. O Ministério Público de Goiás será representado pelo promotor Luan Vitor de Almeida Santana, da 2ª Promotoria de Justiça do município.

Inicialmente marcado para outubro, o júri foi adiado por ausência da defesa, que alegou falta de segurança no local. A juíza responsável considerou a justificativa má-fé e determinou que os advogados arque com as despesas do adiamento. “Ela avisou que, se faltar novamente, um advogado do Estado assumirá o caso”, relatou Dyullya.

Hoje, Dyullya não mantém contato com a família do ex-namorado, que está preso desde um dia após o atentado. Ela espera que a justiça seja feita, não só por ela, mas por todas as mulheres que sofrem violência. “Espero que a justiça seja feita para mim e para todas que passam por isso.”

De acordo com a Polícia Civil, Dyullya e Gleniton tinham um relacionamento de dois anos, que terminou uma semana antes do ataque. Ela já havia denunciado o ex por agressão antes do crime. Câmeras do salão registraram o momento em que ele sacou um revólver e atirou duas vezes nas costas da jovem, fugindo logo depois.

O Ministério Público denunciou o empresário por tentativa de homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, uso de recurso que impediu a defesa da vítima, e pelo feminicídio. Além disso, Gleniton foi indiciado por descumprimento de medidas protetivas e posse irregular de arma de fogo.

A investigação foi concluída em junho do ano passado, e a denúncia oficial encaminhou o caso para julgamento.

Fonte: MaisGoiás

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