sábado , 7 março 2026

Nove cavalos do Instituto Camilla Costa morrem após comer feno contaminado

Na última semana, nove cavalos do Instituto Equestre Camilla Costa, localizado em Goiânia, morreram após consumirem um rolo de feno que, segundo suspeitas, estava contaminado por fungos. Para entender melhor o ocorrido, o Goiás da Gente conversou com dois veterinários que atenderam os animais intoxicados. Eles explicaram que, além da possível contaminação por fungos, o tipo de capim utilizado no feno — conhecido como Massai — pode ter agravado o quadro dos equinos.

O capim Massai possui características que podem reduzir o movimento intestinal dos cavalos e aumentar o acúmulo de gases no abdômen, resultado da fermentação natural. Quando a pressão causada pelo excesso de gases aumenta, pode comprometer os pulmões e até provocar asfixia.

“O capim Massai é muito tenro, com bastante folha e pouca haste. A ingestão dele pode paralisar os movimentos intestinais, por ação do sistema nervoso, fazendo com que o animal deixe de eliminar gases”, explica o médico veterinário José Bráulio Florentino Júnior, do Hospital Rural Veterinário. Segundo ele, casos de empazinamento — acúmulo perigoso de gases — são relativamente comuns, e a presença dos fungos pode ter piorado a situação dos cavalos.

Bráulio recorda um caso parecido: “Há dois ou três anos, atendi seis animais que consumiram feno recém cortado, sem fermentação, e cinco deles morreram”.

A médica veterinária Suyan Brethel foi uma das primeiras a notar mudanças no comportamento dos cavalos, cerca de 15 dias antes da piora. Ela verificou que o feno realmente apresentava fungos no interior do rolo e recomendou que o material não fosse oferecido aos animais e fosse devolvido ao fornecedor. No entanto, o fornecedor garantiu a qualidade do produto, que acabou sendo consumido.

Suyan também comenta que o capim Massai tem maior tendência a mofar por dentro dos rolos, o que torna a detecção do problema mais difícil. “O processo de enrolamento precisa ser muito cuidadoso, mas o mofo pode se desenvolver no meio, o que dificulta a visualização”, alerta.

Além disso, Suyan é professora da UniGoiás e leva seus alunos semanalmente para aulas práticas no instituto. Nesta semana, ela pretende aproveitar a presença dos estudantes para analisar o caso dos cavalos e discutir possibilidades de tratamento e recuperação.

Conforme reportado anteriormente pelo Mais Goiás, 27 animais apresentaram sintomas de intoxicação, e nove não resistiram. A proprietária do instituto decidiu rescindir o contrato com o fornecedor do feno e acionou a Polícia Civil para acompanhar o caso.

Fonte: MaisGoiás

Check Also

Pressão cresce e Adriana Accorsi pode trocar reeleição tranquila por disputa ao Governo de Goiás

A deputada federal Adriana Accorsi pode deixar de lado um cenário considerado confortável de reeleição …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *