Uma pesquisa recente acendeu o alerta para a qualidade da água e dos alimentos consumidos diretamente da natureza em Goiás. Cientistas detectaram uma substância tóxica chamada acrilamida em peixes capturados no Córrego Sussuapara, que passa por áreas urbanas e rurais de Bela Vista.
O que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a quantidade da substância: em um dos peixes, a concentração era 8.400 vezes maior que o considerado seguro em parâmetros internacionais. A acrilamida é conhecida por seu potencial cancerígeno e por causar danos ao sistema nervoso.
A substância é formada, por exemplo, durante o preparo de alimentos ricos em amido (como batata frita ou pão torrado), mas também está presente em processos industriais. No caso de Bela Vista, a suspeita é que ela esteja ligada ao tratamento de esgoto ou descarte de resíduos químicos.
“Embora a água do córrego não tenha apresentado níveis preocupantes da substância, os peixes estavam contaminados, o que pode indicar acúmulo ao longo do tempo”, explica a coordenadora da pesquisa, que preferiu não se identificar enquanto os dados não forem revisados por órgãos ambientais.
O córrego passa próximo da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Bela Vista de Goiás, operada pela Saneago. A companhia afirmou, por meio de nota, que não utiliza acrilamida em seus processos e que não é obrigada, pela legislação atual, a medir essa substância no esgoto tratado.
A ETE, no entanto, já foi multada anteriormente por outros tipos de poluição. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semad) informou que está avaliando a contratação de um estudo independente para confirmar os resultados e investigar possíveis fontes do problema.
Especialistas alertam que, por precaução, a população deve evitar consumir peixes pescados diretamente no córrego até que a situação seja esclarecida.
“É uma questão de saúde pública. Mesmo que a água pareça limpa, substâncias químicas podem se acumular nos organismos e atingir quem consome esses animais”, diz um biólogo consultado pela reportagem.
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A prefeitura de Bela Vista ainda não se pronunciou oficialmente.
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A população cobra transparência e ações rápidas para identificar e conter a contaminação.
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A Semad promete investigar o caso e, se necessário, aplicar novas sanções.
Redação
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