Um projeto inovador está transformando a rotina dos reeducandos da Unidade Prisional de Anicuns, no interior de Goiás. Pela primeira vez no estado, detentos terão acesso a Kindles (leitores digitais) como ferramenta de leitura, dentro de um programa que permite a remição de pena por meio da leitura de obras literárias.
A iniciativa foi lançada no último dia 13 de outubro e é fruto de uma parceria entre o Poder Judiciário, Ministério Público de Goiás, Secretaria Municipal de Educação, a Faculdade de Anicuns e a Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP). A juíza Laura Ribeiro de Oliveira, uma das idealizadoras do projeto, afirma que o objetivo é unir educação, tecnologia e ressocialização.
“A leitura transforma, educa, provoca reflexão e aproxima os reeducandos da realidade fora das grades. Com os leitores digitais, ampliamos o acesso a obras diversas e contribuímos para a reintegração dessas pessoas à sociedade”, destaca a magistrada.
A remição por leitura está prevista na legislação brasileira e permite a redução de até 4 dias de pena para cada livro lido, desde que o detento apresente um relatório ou resenha sobre a obra, demonstrando sua compreensão.
Com os Kindles, o processo se torna mais moderno e acessível. O acervo digital será cuidadosamente selecionado por educadores e agentes envolvidos no projeto, garantindo títulos de relevância literária, diversidade temática e compatíveis com o perfil dos leitores.
O uso de dispositivos eletrônicos em ambientes prisionais é uma novidade que requer cuidados. Os Kindles não têm acesso à internet e são exclusivamente voltados à leitura, garantindo segurança e foco pedagógico.
A aquisição dos aparelhos foi financiada com recursos da conta da execução penal, ou seja, sem impacto nos cofres públicos estaduais.
A proposta vai além da leitura. O projeto prevê a orientação de professores e voluntários para acompanhar os detentos, avaliar os relatórios e estimular o pensamento crítico. A Faculdade de Anicuns terá papel fundamental nessa etapa, com apoio de alunos e docentes.
Para o diretor da unidade prisional, a novidade representa uma conquista importante:
“Essa é uma chance real de mudança. A tecnologia, quando bem usada, pode ser um poderoso instrumento de ressocialização. O Kindle virou um passaporte para o conhecimento”, disse.
Com o sucesso da experiência em Anicuns, espera-se que o projeto sirva de modelo para outras unidades prisionais em Goiás. O uso de leitores digitais pode ser uma alternativa viável, econômica e eficaz para ampliar o acesso à leitura e à educação no sistema penitenciário.
Enquanto o mundo avança com a tecnologia, o sistema prisional também pode caminhar junto — não apenas como espaço de punição, mas de reconstrução.
Redação
integracaonews.com.br Portal de Notícias