Apesar de avançarem em escolaridade e conquistarem espaço em profissões qualificadas, as mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens em Goiás e no restante do país. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a diferença média de rendimentos entre os gêneros chega a quase 20%, mesmo quando elas possuem nível de instrução mais elevado.
Segundo o levantamento, o rendimento médio mensal das mulheres no Brasil é de R$ 2.506, enquanto os homens recebem R$ 3.115. A diferença é ainda mais acentuada entre profissionais com ensino superior completo: homens ganham em média R$ 7.347, contra R$ 4.591 das mulheres — um abismo de 37,5%.
Os números mostram um paradoxo preocupante. Enquanto 28,9% das mulheres ocupadas têm nível superior completo, apenas 17,3% dos homens alcançam o mesmo grau de escolaridade. Ou seja, elas estudam mais, mas continuam sendo menos valorizadas financeiramente no mercado de trabalho.
A pesquisadora do IBGE, Juliana Oliveira, explica que o fenômeno está ligado a fatores estruturais:
“As mulheres estão mais presentes em setores de menor remuneração média, como educação, saúde e serviços sociais, além de enfrentarem barreiras para ascender a cargos de liderança. Isso evidencia que o problema não é de qualificação, mas de reconhecimento e oportunidade”, destaca.
O relatório também aponta diferenças regionais no índice de desigualdade de renda. O Índice de Gini, que mede a concentração de renda (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade), ficou em 0,542 no país. Goiás acompanha essa tendência, com disparidades mais evidentes entre as áreas urbanas e rurais.
Para a economista Carla Mendes, a desigualdade de gênero afeta o crescimento econômico do estado:
“Quando as mulheres recebem menos, mesmo exercendo funções equivalentes, isso não é apenas injusto — é economicamente ineficiente. Reduz o consumo, afeta famílias inteiras e perpetua ciclos de vulnerabilidade”, analisa.
A disparidade salarial é apenas um dos reflexos da desigualdade de gênero. As mulheres ainda acumulam mais responsabilidades domésticas, têm menor acesso a cargos de chefia e enfrentam preconceitos sutis no ambiente de trabalho.
Em Goiás, movimentos sociais e organizações têm buscado reverter esse cenário por meio de programas de capacitação, incentivo ao empreendedorismo feminino e políticas públicas voltadas à igualdade de oportunidades. No entanto, especialistas reforçam que o desafio é cultural e institucional, exigindo um esforço conjunto entre governo, empresas e sociedade.
Os números do IBGE reforçam uma realidade que muitas mulheres goianas conhecem de perto: a de trabalhar mais, estudar mais e, ainda assim, ganhar menos.
“A gente precisa lutar o dobro para ser reconhecida”, diz Luciana Silva, servidora pública de Goiânia. “O diploma abre portas, mas o preconceito ainda fecha muitas delas.”
Redação
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