A empresa Ouro Verde Ambiental concluiu a retirada de todo o lixo que havia desmoronado no lixão de Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal. O deslizamento ocorreu no dia 18 de junho, atingindo a grota e o leito do córrego Santa Bárbara, e provocando um dos maiores desastres ambientais da região nos últimos anos.
Segundo informações da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), o prazo inicial para a conclusão do serviço era 10 de outubro, mas a empresa pediu extensão do cronograma após constatar que o volume de resíduos era muito maior do que o estimado.
Inicialmente, o cálculo apontava para cerca de 42 mil m³ de lixo a ser retirado. Porém, após novos levantamentos, o número saltou para 62,8 mil m³, devido à terra usada para conter um incêndio registrado no local em 24 de junho.
Todo o material recolhido foi armazenado em uma célula impermeabilizada dentro do próprio imóvel do lixão, como forma de evitar nova contaminação do solo e das águas.
O processo de limpeza e reparação faz parte do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre a Ouro Verde e a Semad em 11 de julho. Além da remoção do lixo da grota e do córrego, a empresa também se comprometeu a realizar o esvaziamento das cinco lagoas de chorume existentes, evitando transbordamentos no período chuvoso, e a construir uma sexta lagoa de contenção.
Outra exigência do TAC é o recobrimento da pilha de resíduos, ação fundamental para impedir novos deslizamentos e reduzir a emissão de odores.
Apesar da conclusão da retirada dos resíduos, os impactos ambientais ainda estão sendo avaliados. O monitoramento da água do córrego Santa Bárbara mostra que os níveis de poluentes continuam acima do permitido em alguns pontos.
O último relatório, de setembro, indicou concentrações de benzeno de 0,01 mg/L (o dobro do limite permitido pelo CONAMA, que é de 0,005 mg/L) e de manganês superiores a 0,18 mg/L, quando o máximo é 0,1 mg/L.
Por esse motivo, a portaria que proíbe o uso da água para irrigação e dessedentação animal ainda segue em vigor.
A Semad informou que prepara um aditivo ao Termo de Ajuste de Conduta, incluindo novas medidas de mitigação dos danos ambientais. O órgão também reforçou que continuará o acompanhamento técnico e as análises de qualidade da água, do solo e do ar na região.
Embora o córrego Santa Bárbara não seja utilizado para o abastecimento humano, ele é essencial para a agricultura local e para o consumo de animais, o que mantém o caso em atenção constante.
O acidente no lixão de Padre Bernardo reacendeu o debate sobre a destinação correta de resíduos sólidos em Goiás. Diversos municípios ainda dependem de aterros controlados ou lixões, contrariando a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que previa o encerramento desses espaços até 2014.
A tragédia ambiental é um alerta sobre a necessidade urgente de gestão eficiente do lixo e fiscalização rigorosa por parte dos órgãos competentes.
Redação
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