RIO VERDE (GO) — Um dos maiores golpes contra o agronegócio nos últimos anos foi revelado pela Polícia Civil de Goiás. Um esquema de venda “fake” de milho, que movimentou cerca de R$ 120 milhões em transações fraudulentas, fez vítimas em várias partes do país — incluindo produtores e corretores da cidade de Rio Verde, no sudoeste goiano.
A investigação, conduzida pelo Grupo de Investigações Criminais (GIC) da Polícia Civil, revelou que os criminosos se passavam por intermediários legítimos na compra e venda de grãos. Eles obtinham informações reais sobre estoques, qualidade e localização de cargas de milho, utilizando vídeos, fotos e dados verídicos para convencer compradores e corretores a fechar negócios falsos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a quadrilha chegou a firmar contratos e emitir notas falsas em nome de empresas fictícias. “Eles simulavam operações de alto valor e, quando o dinheiro caía na conta, sumiam”, afirmou.
A operação contou com a participação de dezenas de equipes policiais em dez estados brasileiros, incluindo Goiás, Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amazonas, Acre e Piauí.
Foram cumpridos 41 mandados de prisão temporária e 46 de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Civil, ao menos dez pessoas foram identificadas como vítimas apenas na cidade de Rio Verde, onde o golpe teria começado a se expandir.
Os investigados poderão responder por:
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Estelionato qualificado (Art. 171, § 2º-A do Código Penal);
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Associação criminosa (Art. 288);
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Lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98).
A operação ainda está em andamento e a Polícia Civil busca identificar novas vítimas e rastrear o destino dos valores desviados.
A fraude acendeu um alerta no setor agrícola. Rio Verde, reconhecida como uma das capitais do agronegócio no país, agora discute a necessidade de mecanismos de verificação mais seguros nas negociações digitais e entre corretores.
Especialistas afirmam que golpes dessa natureza afetam não apenas a economia, mas também a confiança entre produtores, compradores e intermediários.
“O prejuízo é financeiro e moral. Produtores sérios acabam sendo colocados sob suspeita”, afirmou um corretor da região que preferiu não se identificar.
O caso segue em investigação. A Polícia Civil reforça que qualquer pessoa que suspeite ter sido vítima do golpe deve procurar a Delegacia de Polícia de Rio Verde ou o GIC, levando contratos, comprovantes e registros de comunicação com os suspeitos.
Redação
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