Um caso chocante chamou a atenção da Polícia Civil em Goiânia nesta semana. Um pai internou o próprio filho, de 19 anos, em uma clínica de reabilitação como forma de castigo, simplesmente porque o jovem não estava trabalhando.
A denúncia partiu da namorada do rapaz, que procurou a polícia após o namorado desaparecer repentinamente. Segundo o boletim de ocorrência, o jovem havia enviado mensagens pedindo ajuda e afirmando que o pai havia “armado contra ele”.
Após diligências, os policiais localizaram o rapaz internado à força em uma clínica particular na capital. No depoimento, o jovem relatou que foi levado contra a vontade, medicado sem consentimento e impedido de sair do local.
O pai, ao ser interrogado, confessou ter levado o filho à clínica, alegando que a internação era “uma forma de puni-lo por não querer trabalhar e pedir dinheiro à família”.
Diante dos fatos, o homem e o responsável pela clínica foram autuados em flagrante por cárcere privado qualificado. O caso segue sob investigação e a Polícia Civil apura se houve também maus-tratos, abuso psicológico ou uso indevido de medicamentos.
De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, o caso configura uma grave violação dos direitos fundamentais do jovem. A internação compulsória só pode ser determinada por decisão judicial e com laudo médico que comprove risco à vida do paciente ou de terceiros.
“O que temos aqui não é um ato de cuidado, mas sim de controle e punição. Isso é abuso de poder paterno e pode gerar sérias consequências legais”, afirma um jurista ouvido pela equipe do Goiás da Gente.
O artigo 148 do Código Penal prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão para quem mantém alguém em cárcere privado, podendo chegar a 8 anos se houver agravantes — como uso de violência, abuso de autoridade ou privação de liberdade de pessoa maior de idade sem justificativa legal.
O caso reacendeu a discussão sobre o limite entre disciplina e violação de direitos dentro das famílias. Especialistas em comportamento alertam que autoridade não é sinônimo de opressão e que jovens adultos têm direito à autonomia e à liberdade de escolha.
Redação
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