Um caso que mistura poder político, crime organizado e tentativas frustradas de fuga internacional terminou com a condenação de um ex-servidor da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Josemar Alencar Linhares de Oliveira, que ocupava cargo comissionado, foi sentenciado a 12 anos, 9 meses e 21 dias de prisão pelo crime de extorsão mediante sequestro, após decisão do juiz Vicentini Herradon, proferida no último dia 24 de setembro.
Segundo a Justiça, Josemar foi apontado como líder do grupo criminoso responsável pelo sequestro de um empresário de São Paulo. A vítima teria sido atraída a Goiás sob a promessa de negociações comerciais, mas acabou rendida, levada para um cativeiro e obrigada a transferir R$ 6 mil via PIX. Os sequestradores chegaram a abandonar o empresário algemado em uma mata, após avistarem uma viatura da Polícia Militar.
O crime ocorreu em 27 de junho. De acordo com o processo, Josemar atraiu o empresário com o pretexto de tratar de negócios relacionados a moedas digitais. Dois comparsas renderam a vítima e a mantiveram sob cárcere privado.
Após a fuga dos criminosos, o empresário conseguiu se soltar e procurou ajuda da polícia. Poucos dias depois, os dois homens envolvidos na execução direta do sequestro foram localizados na zona rural de Davinópolis. Houve confronto e ambos morreram na troca de tiros com a PM.
Josemar negou participação direta no sequestro, afirmando que apenas intermediou negociações e que a motivação seria uma suposta dívida de R$ 500 mil do empresário com ele. No entanto, a Justiça entendeu que ele teve domínio do fato e atuou como coautor, planejando e articulando a ação criminosa.
Antes de ser preso, o ex-servidor chegou a embarcar em voo com destino aos Estados Unidos, mas foi impedido de desembarcar devido à prisão já decretada.
Após a repercussão do caso, a Assembleia Legislativa de Goiás exonerou Josemar de seu cargo comissionado.
Essa é mais uma condenação que expõe como esquemas criminosos podem infiltrar-se em instituições públicas e utilizar da proximidade com o poder para tentar blindagem. O caso gera forte repercussão em Goiás, especialmente pela ligação direta com a Alego.
Redação
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