sábado , 7 março 2026

Diploma garante salário mais que o dobro do ensino médio, aponta OCDE

Um estudo internacional divulgado nesta semana trouxe um retrato preocupante, mas também revelador sobre a educação no Brasil. De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um brasileiro com graduação ganha, em média, 148% a mais do que alguém que concluiu apenas o ensino médio.

Para efeito de comparação, nos países da OCDE essa diferença salarial é bem menor: 54%. O dado reforça a desigualdade do mercado de trabalho brasileiro, em que o diploma de ensino superior representa uma barreira decisiva entre salários baixos e oportunidades de ascensão.

Outro ponto levantado pelo levantamento é a diferença nas taxas de desemprego entre jovens de 25 a 34 anos. No Brasil, 10% dos que não concluíram o ensino médio estão sem trabalho. Entre aqueles que completaram esse nível de ensino, a taxa cai para 8%. Já entre os graduados, o índice fica em 5%, semelhante à média internacional.

O relatório também aponta dificuldades sérias no sistema educacional. Apenas 49% dos brasileiros que entram na faculdade conseguem se formar até três anos após o prazo previsto — na OCDE, esse índice é de 70%. Além disso, a evasão e a falta de presença em sala preocupam: 21% dos alunos brasileiros faltam às aulas pelo menos uma vez por semana, contra 13% nos países analisados.

O estudo mostra ainda que o Brasil concentra 34% dos graduandos em cursos de negócios, administração e direito, enquanto apenas 16% escolhem áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), consideradas estratégicas para o desenvolvimento.

Quando se fala em recursos, o Brasil gasta em média US$ 3,7 mil por aluno ao ano, valor equivalente a um terço da média da OCDE. Ainda assim, o país destina 4,3% do PIB à educação, percentual acima da média dos países desenvolvidos (3,6%). Especialistas apontam que a diferença está na forma como os recursos são aplicados e distribuídos.

Com a queda projetada da população infantil (0 a 4 anos) em 9% até 2033, a expectativa é que o investimento por aluno aumente, reduzindo a desigualdade de recursos em relação aos países da OCDE.

Redação

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