A instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpa Gyn continua repercutindo nos bastidores da Câmara Municipal de Goiânia. Em entrevista, o vereador Willian Veloso (PL), relator da comissão, foi enfático: o Partido Liberal não aceitará cargos na gestão do prefeito Sandro Mabel (UB), apesar de um acordo anterior que previa participação do partido em uma secretaria.
Segundo Veloso, neste momento, qualquer movimentação nesse sentido poderia gerar “dúvida e mal-estar”. O parlamentar afirmou que a decisão foi tomada em conjunto pelo partido:
“Não tem menor possibilidade de aceitarmos uma secretaria. Fechamos questão de que não se fala em secretaria”, declarou.
Além de se posicionar sobre a participação do PL na administração, o relator garantiu que a investigação sobre o contrato da limpeza urbana não será abafada.
“Essa comissão não vai terminar em pizza”, assegurou.
A CEI terá prazo inicial de 120 dias, prorrogáveis por igual período, para realizar convocações, oitivas e solicitar documentos referentes à execução do contrato da limpeza pública em Goiânia, alvo de críticas e questionamentos sobre custos e qualidade dos serviços.
A composição da comissão foi fechada em sessão rápida, que durou menos de meia hora. A presidência ficou com o vereador Welton Lemos (Solidariedade), a vice-presidência com Aava Santiago (PSDB), enquanto o relatório está nas mãos de Willian Veloso (PL).
O clima de consenso surpreendeu, já que a criação da CEI provocou fortes desgastes entre o Executivo e parte da base aliada na Câmara. A formalização da comissão resultou, inclusive, em exonerações de indicados políticos ligados a vereadores que apoiaram a abertura da investigação.
A instalação da CEI ocorre em meio a uma crise política dentro da base do prefeito Sandro Mabel. Secretários e diretores próximos de parlamentares que assinaram a abertura da comissão foram exonerados recentemente, aprofundando o mal-estar entre Legislativo e Executivo.
Nos bastidores, aliados do prefeito ainda tentam minimizar os impactos da investigação e recompor o apoio político, mas a decisão do PL de se afastar de cargos na gestão reforça o cenário de instabilidade.
Com a comissão já instalada e os papéis definidos, a expectativa é de que os próximos meses sejam marcados por oitivas de secretários, gestores e responsáveis pelo contrato da Limpa Gyn. O desafio será equilibrar as pressões políticas e garantir que o trabalho da CEI resulte em respostas concretas à sociedade.
Redação
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