A revelação de que um dos principais investigados na megaoperação Carbono Oculto, da Polícia Federal, fez uma doação de R$ 10 mil para a campanha de Pablo Marçal (PRTB) à prefeitura de São Paulo em 2024, acendeu alerta sobre as ligações entre política e suspeitos de fraudes bilionárias no setor de combustíveis.
O empresário Gabriel Cepeda Gonçalves, dono de 23 postos de combustíveis e apontado como ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), é alvo da operação. Ele também teria utilizado familiares e laranjas para movimentar recursos e ocultar patrimônio.
Além da contribuição à campanha de Marçal, que terminou em terceiro lugar nas eleições paulistanas, Cepeda também doou R$ 9 mil ao diretório municipal do Republicanos de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Deflagrada no dia 28 de agosto, a Operação Carbono Oculto mobilizou centenas de policiais federais em 10 estados, incluindo Goiás. Foram cumpridos mais de 200 mandados de busca, apreensão e prisão, atingindo cerca de 350 investigados.
As investigações apontam um esquema bilionário que envolvia:
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Adulteração de combustíveis (gasolina e etanol misturados com metanol).
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Fraudes fiscais em importações de nafta, diesel e metanol.
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Lavagem de dinheiro por meio de fintechs controladas por laranjas.
Segundo a PF e a Receita Federal, a movimentação financeira suspeita entre 2020 e 2024 ultrapassa R$ 52 bilhões, com R$ 7,6 bilhões em tributos estaduais e R$ 8,67 bilhões em impostos federais sonegados.
A Justiça bloqueou mais de R$ 1 bilhão em bens, incluindo imóveis, fazendas, caminhões, usinas e carros de luxo.
Questionado sobre a legalidade das doações, o deputado estadual Jorge Wilson (Republicanos) afirmou ao Metrópoles:
“Todas as doações ao diretório são legais e estão transparentes. Não há como saber sobre a vida particular de cada doador.”
Até o momento, Pablo Marçal e Gabriel Cepeda Gonçalves não se manifestaram sobre o caso.
Redação
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