sábado , 7 março 2026

“Revendedores afirmam que ração suspeita de matar cavalos não foi recolhida”

A crise envolvendo a Nutratta Nutrição Animal Ltda., fabricante de rações de Itumbiara (GO) suspeita de causar a morte de 284 cavalos em todo o país, ganha novos desdobramentos. Revendedores denunciam que os lotes contaminados ainda não foram recolhidos, mesmo após determinação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além da perda de animais, comerciantes relatam prejuízos financeiros e abandono por parte da empresa.

De acordo com o Mapa, as mortes foram causadas pela presença de monocrotalina, substância altamente tóxica encontrada em análises laboratoriais das rações. O composto é derivado de plantas do gênero Crotalaria, que teria contaminado a matéria-prima usada na produção.

Diante da gravidade, o ministério determinou a suspensão total da fábrica, instaurou processo administrativo e exigiu o recolhimento imediato dos lotes. A medida visava proteger outros criadores e evitar novas mortes, mas, segundo os comerciantes, na prática a ação não foi cumprida pela Nutratta.

Em Minas Gerais, uma comerciante relatou que reuniu mais de 50 sacos de ração suspeita, mas não recebeu apoio logístico ou financeiro para a devolução. No Espírito Santo, representantes afirmam que a empresa prometia recolher os produtos semanalmente, mas nunca compareceu, acumulando um prejuízo de cerca de R$ 12 mil.

Em São Paulo, criadores chegaram a perder até 10 animais cada e estimam prejuízos superiores a R$ 500 mil. No entanto, segundo relatos, a empresa sequer prestou esclarecimentos diretos aos afetados.

O Mapa, em circular recente, informou que a devolução deve ser tratada diretamente entre cliente e fabricante, com base no Código de Defesa do Consumidor. Na prática, a medida deixou revendedores sem amparo oficial e sem alternativas imediatas.

O caso segue em investigação e pode resultar em responsabilidade judicial e indenizações milionárias. Enquanto isso, criadores e comerciantes enfrentam as perdas sem respostas concretas da empresa.

A crise expõe falhas no controle de qualidade da Nutratta e levanta discussões sobre a fiscalização no setor de nutrição animal, que impacta diretamente a economia rural e o bem-estar dos animais.

Redação

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