sábado , 7 março 2026

Goiás avança com Japão em exploração de terras raras

Goiás avança em negociações com o Japão para cooperação na exploração, processamento e refino de terras raras em solo goiano, com foco em agregar valor à cadeia produtiva e reduzir a exportação de matéria-prima bruta.

Em reunião realizada no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, o governador Ronaldo Caiado recebeu representantes da Embaixada do Japão, incluindo o embaixador Teiji Hayashi, o primeiro-secretário Hideki Kamitatara e executivos das empresas Jogmec e Toyota. A comitiva esteve em Goiás para conhecer a mina e a planta de processamento da mineradora Serra Verde em Minaçu — única operação em escala comercial fora do continente asiático — e também a unidade fabril da Aclara Resources em Aparecida de Goiânia.

O encontro teve caráter definidor para a cooperação: as autoridades goianas projetam avançar não só na extração, mas também nas etapas de separação e refino dos minérios, hoje majoritariamente dominadas pela China. Houve consenso em que Goiás dispõe de todas as condições — técnica e institucional — para desenvolver toda a cadeia de valor das terras raras, e que o ponto oficial de interlocução com o Japão será a embaixada em Brasília.

Além disso, foi destacada recente sanção da Lei Estadual nº 23.597, que institui a Autoridade Estadual de Minerais Críticos, responsável por regular todo o setor e possibilitar a criação de um fundo de pesquisa. O governo afirma que a autorização para início de pesquisa ou implantação de novas fases pode ser concedida em até três meses, comprovando a agilidade no licenciamento.

A comitiva japonesa demonstrou forte interesse em estabelecer parcerias estruturais e tecnológicas com Goiás. Autoridades locais reforçaram que o estado não quer se limitar à exportação de concentrados e carbonatos, mas tornar-se referência global na fabricação de produtos de alto valor agregado.

Agora, secretários goianos — especialmente os das pastas de Governo e de Indústria e Comércio — darão seguimento às tratativas com o Japão ao longo de negociações mediadas pela embaixada. O objetivo inclui atrair investimentos para as fases de separação e refino, fortalecer a pesquisa científica e criar oportunidades econômicas nas regiões de Minaçu, Nova Roma e Iporá. Em Nova Roma, por exemplo, o processamento de argilas iônicas deve gerar cerca de 5.700 empregos e receber aporte de R$ 2,8 bilhões. A expectativa é que Goiás se torne um polo estratégico na cadeia global de minerais críticos.

A aproximação entre Goiás e Japão representa mais que um acordo comercial: é um passo decisivo para que o estado abandone o papel de exportador de matéria-prima e se consolide como produtor tecnicamente avançado de terras raras. Com governança robusta, incentivos legais e vontade política, o futuro aponta para Goiás como um centro global em mineração estratégica — com tecnologia, emprego e inovação no coração dessa ambição.

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