A transferência de parte da estrutura de uma fonte do Parque da Lagoa, no setor João Braz, para o Parque Vaca Brava, no setor Bueno, virou motivo de polêmica entre moradores e autoridades em Goiânia. A inauguração ocorreu no último dia 19 de agosto, mas desde então o caso tem levantado debates sobre prioridades da gestão municipal e o tratamento desigual entre bairros da capital.
A versão da Prefeitura
De acordo com a Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), apenas o “bico” — peça que molda a saída da água — foi transferido. A bomba e o aerador ficaram no Parque da Lagoa, mas foram desativados desde 22 de abril, segundo a agência, em função do período de seca. O órgão informou ainda que o equipamento está em manutenção na garagem da AMMA e será reinstalado assim que o reparo for concluído.
A justificativa oficial sustenta que o item pertencia originalmente ao Parque Vaca Brava e havia sido levado para outro local de forma indevida na gestão anterior. A atual administração afirma que está apenas devolvendo o equipamento ao seu lugar de origem.
Moradores contestam
Quem vive na região do Parque da Lagoa contesta a versão da Prefeitura. Moradores relatam que a fonte funcionava normalmente desde abril de 2024 e se tornou um atrativo do parque, sobretudo para famílias e crianças. Para eles, a retirada representa uma perda para a comunidade, que já enfrenta carência de equipamentos de lazer e revitalização em áreas periféricas da cidade.
Críticas da Câmara Municipal
O vereador Luan Alves (MDB), ex-presidente da AMMA, fez duras críticas à decisão. Ele classificou a transferência como “uma imbecilidade” e acusou a atual gestão de priorizar regiões nobres em detrimento da periferia.
“É lamentável ver um equipamento que atendia tão bem a população do João Braz ser retirado e levado para o Bueno. A cidade precisa de equilíbrio, e não de decisões que aumentam a desigualdade entre bairros”, afirmou.
Impacto político
O episódio acontece em um momento em que Goiânia vive intenso debate sobre a valorização de seus parques. Para especialistas em urbanismo, a retirada de equipamentos de lazer de áreas periféricas para regiões centrais ou nobres reforça a percepção de desigualdade no acesso a espaços públicos de qualidade.
Na prática, o caso coloca a AMMA e a Prefeitura em rota de colisão com a comunidade local e abre espaço para disputas políticas que devem ganhar força nos próximos meses.
Redação
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