Com ajuda das Defensorias Públicas de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, Claudina Marralaru Karajá, de 51 anos, garantiu o direito de cuidar legalmente de seis netos que já estavam sob sua responsabilidade desde 2024.
Justiça e dignidade
A indígena Claudina Marralaru Karajá, moradora da aldeia São Domingos, em Luciara (MT), conseguiu nesta segunda-feira (25/08) a guarda provisória de seus seis netos. A conquista só foi possível após a mobilização das Defensorias Públicas de Goiás (DPE-GO), Tocantins (DPE-TO) e Mato Grosso (DPE-MT), que atuam juntas no projeto Defensorias do Araguaia.
Desde o feminicídio da filha, em 2024, Claudina assumiu sozinha a criação das crianças. Sem a guarda legal, ela enfrentava muitas dificuldades para acessar benefícios sociais e previdenciários que garantissem condições dignas de sustento.
Vida de luta
Trabalhando como merendeira, Claudina sobrevive com apenas um salário mínimo. Ela conta que as crianças pedem roupas, calçados e itens básicos do dia a dia, mas que atender a essas necessidades era quase impossível sem apoio governamental.
Com a decisão judicial, a indígena poderá agora acessar programas sociais, como o Cadastro Único, o benefício Pé-de-Meia e auxílios previdenciários junto ao INSS.
Ação conjunta
Durante o mutirão das Defensorias, foram realizados:
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Atendimentos junto ao CRAS;
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Emissão de documentos necessários para a formalização da guarda;
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Inserção no CadÚnico e acesso a benefícios sociais.
O defensor público João Paulo Carvalho Dias (DPE-MT) ressaltou a importância da ação:
“É um caso de grande impacto, porque envolve uma avó que assumiu a responsabilidade de criar os netos após a perda trágica da filha. Agora, ela terá condições legais e materiais para continuar exercendo esse cuidado com dignidade.”
Próximos passos
O projeto Defensorias do Araguaia segue sua segunda edição e ainda nesta semana vai atender outras comunidades:
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27 de agosto: aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal (TO);
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29 de agosto: aldeias Buridina e Bdè-Burè, em Aruanã (GO).
Importância social
A conquista de Claudina simboliza não apenas uma vitória pessoal, mas também o reflexo da importância da presença das instituições públicas nas comunidades indígenas. A guarda legal garante proteção jurídica, dignidade e direito ao futuro para seis crianças que dependem exclusivamente da força e do amor da avó.
Redação
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