sábado , 7 março 2026

Mãe perde filha uma hora após o parto e caso gera revolta mundial

Jovem groenlandesa de 18 anos teve o bebê retirado de seus braços logo após o nascimento na Dinamarca. Protestos denunciam discriminação cultural e violação de direitos humanos.

Uma jovem mãe de apenas 18 anos viveu uma das situações mais dolorosas que podem acontecer a uma mulher. Ivana Nikoline Brønlund, natural de Nuuk, capital da Groenlândia, perdeu a guarda da filha uma hora depois do parto, em um hospital na Dinamarca. A justificativa apresentada pelas autoridades foi o resultado de um controverso “teste de competência parental” (FKU), aplicado para avaliar se ela teria condições de cuidar da criança.

O caso ganhou repercussão internacional porque esse tipo de teste foi proibido em 2025 para pessoas de origem groenlandesa, justamente por ser considerado discriminatório. Ainda assim, Ivana foi submetida à avaliação. “O meu coração se partiu quando disseram que o tempo havia acabado e que levariam minha filha”, desabafou a jovem.

A polêmica do teste parental

O chamado FKU não é um exame clínico, mas uma análise feita por assistentes sociais sobre a capacidade dos pais em oferecer um ambiente seguro. Críticos afirmam que ele utiliza critérios que não respeitam as especificidades culturais das famílias inuítes da Groenlândia. Por isso, a aplicação do procedimento a Ivana foi vista como um ato de injustiça e preconceito.

Repercussão e protestos

O episódio gerou protestos na Groenlândia, Dinamarca, Islândia e Irlanda do Norte. Manifestantes denunciam que o caso representa uma violação dos direitos humanos e da maternidade, além de expor falhas no sistema dinamarquês de proteção à infância.

A prefeitura de Høje-Taastrup, responsável pela decisão, inicialmente alegou que Ivana “não é suficientemente groenlandesa” para se beneficiar da proteção da lei. Após a pressão, reconheceu erros no processo e prometeu rever a situação.

A própria ministra de Assuntos Sociais da Dinamarca pediu explicações oficiais ao município, aumentando a pressão sobre as autoridades locais.

Situação atual da mãe e da bebê

Hoje, Ivana só pode ver a filha duas vezes por mês, durante duas horas, sempre com supervisão. A audiência que pode reverter a perda da guarda está marcada para 16 de setembro de 2025, no Judiciário dinamarquês.

Enquanto isso, a jovem segue clamando por justiça:

“Parece que você não tem permissão para ter um trauma se vai ser mãe”, disse ela, em referência ao fato de ter sido vítima de abuso pelo pai adotivo, algo que, segundo ela, foi usado contra sua capacidade de ser mãe.

Reflexo mundial

O caso reacende o debate sobre até onde o Estado pode interferir no direito à maternidade. Para especialistas, o episódio pode abrir precedentes para uma revisão nas políticas públicas de proteção à infância, especialmente em relação a povos indígenas e minorias étnicas.

Redação

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