sábado , 7 março 2026

Goiás registra queda histórica nos incêndios florestais em 2025

Dados oficiais apontam redução em todos os meses do ano; novas regras de responsabilização já estão em vigor

Os números de queimadas em Goiás estão em trajetória inédita de queda. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) mostram que, de janeiro a julho de 2025, os focos de incêndio florestal caíram 34% em relação ao mesmo período do ano passado. A redução foi registrada em todos os meses, algo que não ocorria há anos.

Segundo a Semad, o total de ocorrências caiu de 1.565 em 2024 para 1.030 em 2025, conforme monitoramento do satélite Aqua M-T, que detecta focos com mais de 30 m². O resultado é considerado o melhor desde 2019.

Redução mês a mês

  • Janeiro: –17,4%

  • Fevereiro: –45%

  • Março: –56,1%

  • Abril: –60,8%

  • Maio: –34,3%

  • Junho: –7,3%

  • Julho: –33,9%

A tendência também se mantém em agosto. Até o dia 17, foram 288 registros, contra 1.120 em todo o mês de agosto do ano passado. Em setembro de 2024, foram mais de 3 mil focos — e a expectativa é que 2025 registre índices bem menores.

Explicações para o resultado

Para o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, os números refletem o amadurecimento das políticas públicas estaduais.

“O combate ao fogo em Goiás deixou de ser apenas reação. Hoje existe planejamento, monitoramento e integração de forças. O resultado é a preservação do meio ambiente e a proteção da população”, destacou.

Além do monitoramento constante, o fim do fenômeno El Niño, com chuvas mais regulares, e um decreto estadual que restringe o uso do fogo durante a seca contribuíram para a melhora.

Novas regras de responsabilização

No início de agosto, a Semad publicou a Instrução Normativa nº 14/2025, que define critérios para comprovar autoria em incêndios e responsabilizar tanto ações diretas (como queimadas ilegais) quanto omissões (como falta de aceiros ou de comunicação aos bombeiros).

Pela norma, é necessário reunir pelo menos três de seis evidências para caracterizar a responsabilidade. Casos de força maior ou ação de terceiros ficam isentos, mas quem provocar ou permitir incêndios poderá responder com multas e outras penalidades previstas em lei.

Caso recente em Nova Roma

Apesar da queda geral, casos isolados ainda preocupam. No dia 20 de agosto, um homem foi preso em Nova Roma, às margens da GO-241, próximo à Estação Ecológica. Ele foi flagrado utilizando a técnica ilegal de “fogo-contra-fogo” para tentar conter chamas, mas acabou ampliando o incêndio.
A ação contou com apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, que usaram drones no monitoramento. O homem foi autuado com base no artigo 41 da Lei de Crimes Ambientais.

Conclusão

A redução nos focos de incêndio em Goiás em 2025 mostra que o estado está no caminho certo no combate às queimadas. O desafio, no entanto, é manter a fiscalização e a conscientização da população, para que episódios como o de Nova Roma não comprometam os avanços conquistados.

Redação

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