A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em Belém (PA), voltou atrás e decidiu permitir a presença de pratos tradicionais da culinária paraense, como açaí, tucupi e maniçoba, nos espaços oficiais do evento.
Proibição gerou revolta
A polêmica começou quando o edital inicial da organização, conduzida pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), vetou a oferta desses alimentos alegando risco sanitário. A medida foi considerada ofensiva e até preconceituosa por chefs e representantes da cultura amazônica, que enxergaram a exclusão como uma tentativa de invisibilizar a identidade regional.
O chef Saulo Jennings, referência da gastronomia paraense e ex-embaixador da ONU Turismo, classificou o veto como “um crime contra nosso povo”. Em Dubai, durante a COP28, ele já havia servido tacacá feito com tucupi, reforçando que a culinária amazônica tem relevância mundial.
Pressão popular e reação política
As críticas se espalharam rapidamente nas redes sociais e ganharam força com manifestações de especialistas e autoridades. O ministro do Turismo, Celso Sabino, também se posicionou contra a medida, chamando o veto de “erro grave”. A pressão levou a OEI a rever a decisão.
Errata garante presença dos sabores amazônicos
No último dia 16 de agosto, a organização publicou uma errata retirando a tabela de proibições e confirmando que os pratos típicos do Pará poderão ser oferecidos durante a COP30. A decisão foi celebrada como uma vitória da cultura local.
Além disso, o edital revisado prevê que pelo menos 30% dos insumos utilizados venham da agricultura familiar, privilegiando cooperativas, associações e comunidades tradicionais da região. Uma audiência pública para definir os fornecedores está marcada para 19 de agosto de 2025.
Identidade preservada
A mudança garante que o maior evento climático do planeta terá o sabor da Amazônia. Paraense de nascimento, o açaí se tornará símbolo não apenas de alimento, mas também de resistência cultural em um palco global.
Redação
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